Seguranca

PCDF mira rede que discutia ataques a prédios de Brasília nas eleições

Operação Rede Interrompida cumpriu oito mandados de busca em cinco estados contra investigados de 19 a 31 anos

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta terça-feira (4/8) a Operação Rede Interrompida contra uma rede extremista que discutia ataques a prédios da região central de Brasília durante as eleições de 2026. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em cinco estados.

Os investigados têm entre 19 e 31 anos e foram localizados em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. A operação foi conduzida pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV) da PCDF, que mobilizou equipes nos cinco estados de forma simultânea.

Segundo a corporação, o grupo usava comunidades no Telegram para difundir conteúdo neonazista, antissemita e misógino, recrutar novos integrantes e debater ações violentas. Nas conversas, os investigados compartilhavam manuais de fabricação de explosivos, além de mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de edifícios localizados no centro da capital federal.

De onde partiu a investigação

O procedimento começou a partir de um relatório técnico do Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça e Segurança Pública voltado ao monitoramento de crimes na internet. O órgão também deu suporte operacional durante o cumprimento das medidas.

A apuração corre por associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e infrações da Lei Antirracismo, a Lei 7.716/1989. A PCDF afirma que os fatos ainda não foram enquadrados na Lei de Terrorismo, o que dependeria da caracterização de motivação e finalidade previstas naquela norma. Equipamentos eletrônicos foram apreendidos e serão periciados.

Nenhum dos oito investigados teve prisão decretada até agora. Os mandados cumpridos são de busca e apreensão, medida que autoriza a coleta de material, mas não a detenção. Os nomes não foram divulgados porque o inquérito corre sob sigilo.

Por que Brasília está no alvo

A capital concentra as sedes dos três Poderes em um raio de poucos quilômetros, o que a coloca de forma recorrente no planejamento de grupos radicalizados. O material apreendido com plantas de prédios do centro repete um padrão já visto em investigações anteriores no DF, em que a discussão on-line antecede qualquer tentativa de ação física.

O calendário eleitoral aumenta a atenção das forças de segurança. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o DF recebe, além da votação local, a estrutura nacional de apuração e os tribunais que julgam a disputa. Órgãos federais e distritais mantêm grupos de trabalho para monitorar ameaças a locais de votação e a autoridades.

  • Operação: Rede Interrompida
  • Data: 4 de agosto de 2026
  • Mandados: oito, de busca e apreensão
  • Estados: SC, PR, SP, PE e RS
  • Investigados: oito, de 19 a 31 anos
  • Crimes apurados: associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime e Lei Antirracismo

Mandado de busca e apreensão não é ordem de prisão. A medida autoriza a entrada em endereço determinado para recolher documentos, celulares, computadores e mídias, que depois passam por perícia. É a partir desse material que a autoridade policial decide se representa por prisão, por medidas cautelares diversas ou pelo arquivamento.

O Ciberlab foi criado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para monitorar conteúdo ilícito em ambiente digital e produzir relatórios técnicos que subsidiam investigações estaduais e distritais. Boa parte dos casos de extremismo violento chega às polícias por esse caminho, e não por denúncia presencial.

A PCDF informou que a investigação continua e que novas medidas podem ser adotadas conforme o resultado da perícia nos equipamentos apreendidos. Denúncias sobre conteúdo extremista podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 197.

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