Seguranca

Agiotagem armada: PCDF bloqueia R$ 6 milhões de grupo que cobrava juros de 20% em Planaltina

Três prisões preventivas e buscas em cinco cidades de três estados; caso corre na 16ª DP

Neste texto5 tópicos
  1. O que a investigação apurou
  2. Por que emprestar a juros altos é crime
  3. A quinta ocorrência de agiotagem no DF em sete semanas
  4. Onde denunciar no DF
  5. O que vem agora

A Polícia Civil do DF cumpriu nesta segunda-feira mandados de busca e três prisões preventivas contra um grupo suspeito de emprestar dinheiro a juros acima de 20% e cobrar as dívidas com ameaça e arma de fogo em Planaltina. Cerca de R$ 6 milhões foram bloqueados.

  • R$ 6 milhões em bens bloqueados, além de carros de luxo e um imóvel de cerca de R$ 1 milhão.
  • Três mandados de prisão preventiva cumpridos; o caso segue na 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina.
  • Buscas em cinco cidades: Planaltina (DF), Formosa e Goiânia (GO), Formoso e Buritis (MG).
  • Juros acima de 20% e tomada de bens das vítimas, segundo a investigação.
  • Usura é crime desde 1951, com pena de seis meses a dois anos de detenção e multa.

O que a investigação apurou

O grupo concedia empréstimos com juros superiores a 20% e, quando a vítima não conseguia quitar a dívida, partia para a cobrança com ameaça e uso de arma de fogo, segundo a apuração da 16ª DP relatada pelo Correio Braziliense e pelo Metrópoles.

A tomada de bens aparece como método de acerto. Em um dos casos investigados, o grupo teria ficado com a estética automotiva de uma das vítimas. Veículos, motocicletas e objetos pessoais também foram entregues como forma de garantir o pagamento. A investigação aponta ainda indícios de lavagem de dinheiro.

O número de mandados de busca divergiu entre os veículos que noticiaram a operação: o Correio Braziliense informou oito e o Metrópoles, sete. Os dois registram as mesmas três prisões preventivas e o mesmo bloqueio de cerca de R$ 6 milhões. A PCDF não havia publicado nota sobre a operação em seu site oficial até a tarde desta segunda-feira.

Por que emprestar a juros altos é crime

A agiotagem não é punida por causa do valor do juro isolado, e sim porque a lei classifica a usura como crime contra a economia popular. O artigo 4º da Lei 1.521, de 1951, define como crime cobrar juros sobre dívida em dinheiro acima da taxa permitida em lei e também obter, em contrato, lucro que exceda um quinto do valor justo da prestação, abusando da necessidade, da inexperiência ou da leviandade da outra parte.

A pena prevista é de seis meses a dois anos de detenção, mais multa. O mesmo artigo lista agravantes que costumam aparecer nesse tipo de caso: ocasionar grave dano individual, dissimular a natureza usurária do contrato e cometer o crime contra pessoa de condição econômica manifestamente inferior à do agiota. Quando entram ameaça, arma e tomada de bens, o caso deixa de ser só usura e passa a responder também por extorsão.

O texto integral está disponível no portal da Presidência da República, e é a base jurídica citada nas operações do tipo.

Linha do tempo com cinco casos de agiotagem no DF entre 2 de agosto e 21 de setembro de 2026
Cinco ocorrências de agiotagem no DF em sete semanas, do policial preso em Brazlândia à rede de PlanaltinaLevantamento: DistritoNews

A quinta ocorrência de agiotagem no DF em sete semanas

A operação desta segunda-feira não é caso isolado. Em 2 de agosto, um policial militar da Bahia foi preso no DF acusado de extorquir um empresário de Brazlândia. Em 13 de agosto, o dono de uma hamburgueria de Taguatinga foi preso por cobrança violenta de uma dívida de R$ 750.

Em 12 de setembro, a Operação Iustitia Victis terminou com 11 presos e um esquema que movimentou R$ 10,1 milhões. Dois dias depois, uma agiota foragida do DF foi presa em Lagoa da Confusão, no Tocantins.

Planaltina já havia aparecido nessa lista por outro motivo. Em agosto, o DistritoNews mostrou o caso de um homem que desapareceu na região depois de sofrer ameaças de agiotas. Não há informação que ligue aquele caso ao grupo alvo da operação desta segunda-feira.

Onde denunciar no DF

CanalContatoPara quê
16ª DP (Planaltina)Setor Comercial Central, AE, Quadra 02, Bloco K, CEP 73.310-321Unidade responsável pela investigação deste caso
Plantão da 16ª DP(61) 3207-7451, 3207-7472, 3207-7475 e 3207-7479Registro e informação sobre ocorrência em Planaltina
Delegacia Eletrônica da PCDFpcdf.df.gov.br/servicos/delegacia-eletronicaRegistro de ocorrência pela internet, sem sair de casa
Delegacia mais próximaLista telefônica no site da PCDFDenúncia em outra região administrativa

Os telefones constam da lista telefônica oficial da Polícia Civil, atualizada em 14 de setembro de 2026.

O que vem agora

Os três presos ficam à disposição da Justiça enquanto o inquérito corre na 16ª DP. O bloqueio de R$ 6 milhões e a indisponibilidade do imóvel são medidas cautelares: valem para impedir que o patrimônio seja dissipado durante a apuração e ainda dependem de decisão judicial definitiva.

Quem foi cobrado com ameaça pode registrar ocorrência mesmo que tenha pego o dinheiro emprestado por vontade própria. Na lei brasileira, quem empresta a juros de usura comete o crime; quem tomou o empréstimo é a vítima, e a dívida cobrada nessas condições pode ser discutida na Justiça.

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