Agiotagem armada: PCDF bloqueia R$ 6 milhões de grupo que cobrava juros de 20% em Planaltina
Três prisões preventivas e buscas em cinco cidades de três estados; caso corre na 16ª DP
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A Polícia Civil do DF cumpriu nesta segunda-feira mandados de busca e três prisões preventivas contra um grupo suspeito de emprestar dinheiro a juros acima de 20% e cobrar as dívidas com ameaça e arma de fogo em Planaltina. Cerca de R$ 6 milhões foram bloqueados.
- R$ 6 milhões em bens bloqueados, além de carros de luxo e um imóvel de cerca de R$ 1 milhão.
- Três mandados de prisão preventiva cumpridos; o caso segue na 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina.
- Buscas em cinco cidades: Planaltina (DF), Formosa e Goiânia (GO), Formoso e Buritis (MG).
- Juros acima de 20% e tomada de bens das vítimas, segundo a investigação.
- Usura é crime desde 1951, com pena de seis meses a dois anos de detenção e multa.
O que a investigação apurou
O grupo concedia empréstimos com juros superiores a 20% e, quando a vítima não conseguia quitar a dívida, partia para a cobrança com ameaça e uso de arma de fogo, segundo a apuração da 16ª DP relatada pelo Correio Braziliense e pelo Metrópoles.
A tomada de bens aparece como método de acerto. Em um dos casos investigados, o grupo teria ficado com a estética automotiva de uma das vítimas. Veículos, motocicletas e objetos pessoais também foram entregues como forma de garantir o pagamento. A investigação aponta ainda indícios de lavagem de dinheiro.
O número de mandados de busca divergiu entre os veículos que noticiaram a operação: o Correio Braziliense informou oito e o Metrópoles, sete. Os dois registram as mesmas três prisões preventivas e o mesmo bloqueio de cerca de R$ 6 milhões. A PCDF não havia publicado nota sobre a operação em seu site oficial até a tarde desta segunda-feira.
Por que emprestar a juros altos é crime
A agiotagem não é punida por causa do valor do juro isolado, e sim porque a lei classifica a usura como crime contra a economia popular. O artigo 4º da Lei 1.521, de 1951, define como crime cobrar juros sobre dívida em dinheiro acima da taxa permitida em lei e também obter, em contrato, lucro que exceda um quinto do valor justo da prestação, abusando da necessidade, da inexperiência ou da leviandade da outra parte.
A pena prevista é de seis meses a dois anos de detenção, mais multa. O mesmo artigo lista agravantes que costumam aparecer nesse tipo de caso: ocasionar grave dano individual, dissimular a natureza usurária do contrato e cometer o crime contra pessoa de condição econômica manifestamente inferior à do agiota. Quando entram ameaça, arma e tomada de bens, o caso deixa de ser só usura e passa a responder também por extorsão.
O texto integral está disponível no portal da Presidência da República, e é a base jurídica citada nas operações do tipo.

A quinta ocorrência de agiotagem no DF em sete semanas
A operação desta segunda-feira não é caso isolado. Em 2 de agosto, um policial militar da Bahia foi preso no DF acusado de extorquir um empresário de Brazlândia. Em 13 de agosto, o dono de uma hamburgueria de Taguatinga foi preso por cobrança violenta de uma dívida de R$ 750.
Em 12 de setembro, a Operação Iustitia Victis terminou com 11 presos e um esquema que movimentou R$ 10,1 milhões. Dois dias depois, uma agiota foragida do DF foi presa em Lagoa da Confusão, no Tocantins.
Planaltina já havia aparecido nessa lista por outro motivo. Em agosto, o DistritoNews mostrou o caso de um homem que desapareceu na região depois de sofrer ameaças de agiotas. Não há informação que ligue aquele caso ao grupo alvo da operação desta segunda-feira.
Onde denunciar no DF
| Canal | Contato | Para quê |
|---|---|---|
| 16ª DP (Planaltina) | Setor Comercial Central, AE, Quadra 02, Bloco K, CEP 73.310-321 | Unidade responsável pela investigação deste caso |
| Plantão da 16ª DP | (61) 3207-7451, 3207-7472, 3207-7475 e 3207-7479 | Registro e informação sobre ocorrência em Planaltina |
| Delegacia Eletrônica da PCDF | pcdf.df.gov.br/servicos/delegacia-eletronica | Registro de ocorrência pela internet, sem sair de casa |
| Delegacia mais próxima | Lista telefônica no site da PCDF | Denúncia em outra região administrativa |
Os telefones constam da lista telefônica oficial da Polícia Civil, atualizada em 14 de setembro de 2026.
O que vem agora
Os três presos ficam à disposição da Justiça enquanto o inquérito corre na 16ª DP. O bloqueio de R$ 6 milhões e a indisponibilidade do imóvel são medidas cautelares: valem para impedir que o patrimônio seja dissipado durante a apuração e ainda dependem de decisão judicial definitiva.
Quem foi cobrado com ameaça pode registrar ocorrência mesmo que tenha pego o dinheiro emprestado por vontade própria. Na lei brasileira, quem empresta a juros de usura comete o crime; quem tomou o empréstimo é a vítima, e a dívida cobrada nessas condições pode ser discutida na Justiça.