Ajuda internacional cai 23,1% em 2025 e tem o maior corte já registrado
Estudo do Brics Policy Center, com dados do comitê da OCDE, mostra que os Estados Unidos respondem por três quartos da queda
O volume de ajuda internacional sofreu corte de 23,1% na passagem de 2024 para 2025, o maior já registrado. O dado é do estudo Financiamento para o Desenvolvimento, elaborado pelo Brics Policy Center, centro ligado ao Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, com base em informações do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento, o CAD, vinculado à OCDE. O levantamento foi divulgado em 3 de agosto.
Em 2025, o auxílio dos países ricos somou US$ 174,3 bilhões, cerca de R$ 900 bilhões. A redução foi de US$ 52,4 bilhões em um ano, em termos reais.
Quem cortou e quanto
A retração é concentrada. Os Estados Unidos reduziram seus repasses em 56,9% e responderam sozinhos por 75,1% da diminuição total, ou seja, três quartos do corte global. Os demais integrantes do grupo também recuaram, em ritmo menor:
- Alemanha: queda de 17,4%;
- França: queda de 10,9%;
- Reino Unido: queda de 10,8%;
- Japão: queda de 5,6%.
O peso dos Estados Unidos no total explica por que uma decisão de um único país move o indicador global. O corte americano segue a reorganização da política externa do governo de Donald Trump, que redefiniu programas de cooperação e assistência humanitária ao longo de 2025.
Onde o dinheiro faz falta
O financiamento ao sistema das Nações Unidas caiu 27%, também o maior recuo já registrado. Agências da ONU sustentam programas de vacinação, segurança alimentar, resposta a desastre e atendimento a refugiados, áreas em que a substituição por recurso local é limitada.
A África Subsaariana, região que mais depende desse tipo de repasse, recebeu US$ 29,2 bilhões, o que representa diminuição de 23% em relação ao ano anterior. Para 2026, a projeção do estudo é de nova redução, de 11,6%.
Os pesquisadores responsáveis pelo levantamento são Isabel Rocha de Siqueira, Enzo Cosenza e Luis Ehl.
O que isso significa para o Brasil
O Brasil não integra o CAD e não aparece entre os doadores contabilizados no estudo. O país participa da cooperação internacional por outro caminho, o da cooperação técnica entre países em desenvolvimento, executada principalmente pela Agência Brasileira de Cooperação, ligada ao Itamaraty.
O efeito indireto, porém, é relevante para a diplomacia brasileira. Com menos recurso multilateral disponível, cresce a disputa por financiamento em fóruns dos quais o Brasil participa, e aumenta a pressão sobre bancos de desenvolvimento e fundos climáticos como fonte alternativa. Essa é uma das linhas que o país tem defendido nas discussões sobre financiamento climático.
O DistritoNews acompanha os indicadores internacionais que afetam a economia brasileira, como o relatório do BID sobre o mercado de trabalho na América Latina, divulgado nesta semana.