Anac suspende quatro empresas de voos panorâmicos que operavam no Rio
Agência fiscalizou nove das doze empresas autorizadas e suspendeu nove aeronaves depois de dois acidentes na capital fluminense
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu quatro empresas de voos panorâmicos que operavam na cidade do Rio de Janeiro. O balanço foi apresentado nesta terça-feira (18) em entrevista coletiva no Centro de Operações e Resiliência (COR) da prefeitura do Rio, na região central da capital fluminense.
Além das quatro empresas, nove aeronaves tiveram a operação suspensa. A agência informou que fiscalizou nove das doze empresas autorizadas a fazer o serviço na cidade e inspecionou 18 das 46 aeronaves usadas na atividade.
Metade da operação com irregularidade
O diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, resumiu o resultado da fiscalização em números.
"Estamos falando de 50% até hoje das atividades de voos panorâmicos do Rio de Janeiro que estão com algum tipo de irregularidade. Esse é um número preocupante e altíssimo", afirmou.
As ações incluíram auditoria dos sistemas de gerenciamento de segurança operacional, verificação de procedimentos e inspeção técnica das aeronaves. A agência não divulgou os nomes das empresas suspensas nem a lista das irregularidades encontradas em cada caso. Também não informou prazo para que as suspensões sejam revistas.
Duas quedas em dois meses
A intensificação da fiscalização atendeu a um pedido da prefeitura do Rio depois de dois acidentes recentes. Em 8 de agosto, a queda de um helicóptero na Floresta da Tijuca matou quatro pessoas. Em 14 de junho, uma colisão aérea no Recreio dos Bandeirantes deixou seis mortos. Segundo a Anac, os acidentes com aeronaves desse tipo na cidade somam 13 mortes desde janeiro de 2026.
O voo panorâmico é uma modalidade de transporte aéreo público em que o passageiro sobrevoa pontos turísticos e retorna ao ponto de partida. A atividade exige certificação específica da Anac, manutenção documentada das aeronaves e piloto habilitado para a operação. A suspensão impede a empresa de vender e realizar o serviço enquanto durar a restrição.
O que muda para quem voa
Quem contratou passeio aéreo no Rio precisa confirmar com a empresa se a operação segue autorizada. A situação de cada operador pode ser conferida nos registros públicos da agência, que mantém a relação das empresas com certificado válido para transporte aéreo público.
Antes de embarcar, três checagens reduzem o risco:
- confirmar se a empresa tem certificado da Anac para a operação contratada;
- exigir bilhete ou comprovante formal do serviço, e não apenas acerto informal;
- desconfiar de preço muito abaixo do praticado no mercado, que costuma indicar operação sem certificação.
O tema já rendeu ação judicial. Em agosto, o Ministério Público Federal cobrou rota fixa e reforço de fiscalização para os helicópteros que sobrevoam a capital fluminense, em ação civil pública que envolve também o Departamento de Controle do Espaço Aéreo.
Brasília acompanha o assunto por dois motivos. A sede da Anac fica no Distrito Federal, no Setor Comercial Sul, e as decisões sobre certificação e suspensão saem da estrutura regulatória instalada na capital federal. Além disso, a agência é vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, com pasta e comando também sediados em Brasília.
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