Brasil

Anvisa nega alerta sobre plástico e petróleo em ovos e orienta consumidor

Agência afirma que não emitiu comunicado e lembra que a fiscalização de granjas cabe ao Ministério da Agricultura

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta terça-feira (4) que é falso o alerta que circula em vídeos nas redes sociais sobre a presença de plástico ou de petróleo em ovos vendidos no Brasil. A agência afirma que não emitiu nenhum comunicado sobre o assunto e que não existem ovos com essas substâncias aprovados para consumo no país.

A nota foi publicada pela Agência Gov, canal oficial do governo federal, às 16h57 de terça. A desinformação vinha sendo compartilhada como se fosse um comunicado da própria Anvisa.

O que diz a nota

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) NÃO emitiu nenhum alerta sobre a presença de plástico ou petróleo em ovos. NÃO existem ovos feitos de plástico ou petróleo, ou contendo essas substâncias, aprovados para consumo.

A agência também esclareceu uma confusão de competência que aparece nas postagens. A fiscalização das granjas e da produção de ovos no Brasil não é da Anvisa: cabe ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio do serviço de inspeção federal. A Anvisa atua sobre alimentos processados e sobre a vigilância sanitária no varejo.

As orientações ao consumidor

Junto com o desmentido, a Anvisa reforçou recomendações práticas de compra e armazenamento:

  • Comprar ovos apenas de estabelecimentos inspecionados, com rótulo que traga rastreabilidade e prazo de validade
  • Não lavar os ovos antes de guardar, porque a água remove a cutícula, camada natural que protege a casca contra a entrada de microrganismos
  • Manter o produto refrigerado
  • Consumir os ovos bem cozidos

A recomendação de não lavar é a que mais contraria o hábito doméstico. A casca do ovo é porosa, e a lavagem antes do armazenamento facilita a passagem de bactérias para o interior do produto. A limpeza, quando necessária, deve ser feita apenas no momento do preparo.

Quem fiscaliza o quê

A divisão de competências explica por que o suposto alerta não faria sentido vindo da Anvisa. O ovo in natura é produto de origem animal e está sob o Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, que fiscaliza granjas, entrepostos e classificação. A Anvisa entra quando o alimento é industrializado, como ovo pasteurizado e ovo em pó, e quando há risco sanitário no ponto de venda.

Na ponta do varejo, a fiscalização de rotina cabe às vigilâncias sanitárias estaduais e distritais, que checam temperatura, validade e condições de armazenamento nos estabelecimentos.

Por que o boato pega

Vídeos que mostram gemas de textura firme ou claras que não se dissolvem circulam periodicamente nas redes com a alegação de que o produto seria sintético. Variações de textura e de coloração da gema estão ligadas à alimentação das aves, ao tempo de armazenamento e à temperatura, e não à adulteração do alimento.

Para o consumidor do Distrito Federal, a checagem prática está na embalagem: o carimbo do serviço de inspeção, o número do lote e a data de validade. Produto vendido solto, sem embalagem identificada e sem refrigeração adequada, é o que representa risco real.

Denúncias sobre alimentos impróprios podem ser feitas à vigilância sanitária local. No DF, a Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde recebe registros pelo canal de ouvidoria do GDF. Assuntos de saúde pública com efeito direto na rotina da cidade, como a campanha de multivacinação em curso até 1º de setembro, seguem o mesmo caminho de orientação oficial.

A Anvisa não informou se houve pedido de remoção do conteúdo às plataformas.

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