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Anvisa apreende lote falso do Phesgo, de câncer de mama, e três do Dysport

Resolução publicada no Diário Oficial desta segunda proíbe uso, venda e distribuição dos quatro lotes; no Phesgo, a medida vale só para caixas com fabricação 06/2025

Neste texto5 tópicos
  1. Quais lotes estão proibidos
  2. Como saber se a sua caixa é de um lote apreendido
  3. O que fazer se o produto está em casa ou na clínica
  4. Onde o paciente do DF notifica
  5. O que mais entrou na mesma resolução

A Anvisa determinou a apreensão de um lote falsificado do Phesgo, medicamento usado contra câncer de mama, e de três lotes falsificados do Dysport, de toxina botulínica tipo A. A decisão vale para todo o país e foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (21).

As duas medidas estão no mesmo ato, a Resolução-RE nº 3.717, assinada em 18 de setembro pela gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da agência, Renata de Lima Soares, e publicada na Seção 1 do Diário Oficial, edição 178, página 183. O anexo da resolução traz cinco itens; dois deles tratam dos medicamentos falsificados.

Quais lotes estão proibidos

A tabela abaixo reúne o que a resolução determina produto a produto. Os números de lote são os que constam no texto publicado, e não em resumo de terceiros.

ProdutoLoteReferência na caixaFabricante do originalMedida
PhesgoB5011B05Data de fabricação 06/2025Produtos Roche Químicos e FarmacêuticosApreensão e proibição de armazenar, comercializar, distribuir, exportar, importar e usar
Dysport 500 UP08191Validade 04/2029Beaufour Ipsen FarmacêuticaApreensão e proibição de comercializar, distribuir e usar
Dysport 500 UP08192Validade 05/2029Beaufour Ipsen FarmacêuticaApreensão e proibição de comercializar, distribuir e usar
Dysport 500 UP22368Validade 02/2029Beaufour Ipsen FarmacêuticaApreensão e proibição de comercializar, distribuir e usar

No caso do Phesgo, a Roche comunicou à Anvisa que identificou no mercado unidades do lote B5011B05 com características diferentes das do medicamento original. A resolução é explícita ao delimitar o alcance da medida: ela se aplica apenas às unidades que estampam 06/2025 como data de fabricação, e vale para qualquer pessoa física ou jurídica que tenha o produto.

No caso do Dysport, a Beaufour Ipsen informou que não reconhece como originais os lotes P08191, P08192 e P22368 da apresentação de 500 unidades. A agência classificou os três como falsificação e determinou a apreensão.

Reprodução dos itens 3 e 5 do anexo da Resolução-RE 3.717, com os lotes do Phesgo e do Dysport
Os dois trechos do anexo da resolução que tratam dos medicamentos falsificados, como saíram no Diário Oficial de 21 de setembroReprodução: Diário Oficial da União

Como saber se a sua caixa é de um lote apreendido

O número do lote fica impresso na embalagem externa, junto da data de fabricação e da validade, normalmente na lateral ou no fundo da caixa. É esse número, e não o nome comercial, que define se a unidade está atingida pela resolução.

  1. Localize o campo com a sigla do lote na caixa e compare com a tabela acima, letra por letra.
  2. No Phesgo, confira também a data de fabricação: a proibição vale só para 06/2025.
  3. No Dysport, confira a validade impressa, que precisa bater com a do lote.
  4. Se o número bater, não use e não descarte no lixo comum: o produto é prova de um caso de falsificação em apuração.
Esquema mostrando onde ficam a data de fabricação e o número do lote na caixa de um medicamento
O número do lote fica no bloco de impressão variável, feito depois da caixa pronta, com tinta e letra diferentes do resto da embalagemArte: DistritoNews

Vale a mesma checagem que a agência recomenda em qualquer compra de medicamento. Já mostramos como conferir se um medicamento tem registro válido na Anvisa antes de comprar, passo que separa produto regular de produto sem origem.

O que fazer se o produto está em casa ou na clínica

A orientação muda conforme quem está com a unidade. Para o paciente, o caminho é falar com o serviço que aplicou ou vendeu o medicamento. Para farmácia, distribuidora e clínica, a resolução cria obrigação: armazenar, vender, distribuir ou aplicar unidade do lote apreendido passa a ser irregular a partir da publicação.

  • Paciente: procure o médico que prescreveu antes de interromper qualquer tratamento. Não use a unidade do lote citado.
  • Farmácia, distribuidora e clínica: separe fisicamente as unidades, registre a quantidade e comunique à vigilância sanitária local.
  • Quem comprou fora do circuito formal: guarde a nota, a embalagem e o contato do vendedor. É o que permite rastrear a origem da falsificação.

O Phesgo é de uso hospitalar e ambulatorial, aplicado por profissional de saúde em tratamento de câncer de mama HER2-positivo. O Dysport é toxina botulínica, aplicada em consultório tanto em indicação estética quanto em tratamentos neurológicos. Nos dois casos, a pessoa que recebe a aplicação raramente vê a caixa, o que desloca a responsabilidade da checagem para o serviço que compra o produto.

Onde o paciente do DF notifica

No Distrito Federal, a fiscalização é da Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa), ligada à Secretaria de Saúde. Os canais estão abaixo.

CanalPara quêContato
Ouvidoria do GDFDenúncia de venda ou aplicação de produto irregularTelefone 162 ou participa.df.gov.br
DivisaDúvida sobre fiscalização sanitária no DF(61) 3449-4448, divisa.svs@saude.df.gov.br
Divisa (sede)Atendimento presencialSEPS Quadra 712/912, Bloco D, Asa Sul
AnvisaQueixa técnica e evento adverso com o produtoSistema Notivisa, em gov.br/anvisa

A denúncia de estabelecimento, segundo a própria Divisa, entra apenas pelos canais da Ouvidoria, e não por telefone direto da diretoria. Quem notifica não precisa se identificar para o estabelecimento denunciado.

O que mais entrou na mesma resolução

Além dos dois medicamentos falsificados, a Resolução-RE 3.717 traz outras três medidas preventivas. A agência proibiu a venda e a propaganda de produtos derivados de cannabis sem registro ou autorização, anunciados por empresa não identificada em um site e em um perfil de rede social. E suspendeu a propaganda de manipulados de duas empresas, a Queen Pharma Aesthetic e a Farmácia Malheiro, por expor produto manipulado à venda para o público em geral, o que a regra de boas práticas de manipulação não permite.

O pano de fundo é conhecido de quem compra remédio pela internet. Pesquisa divulgada em agosto mostrou que sete em cada dez brasileiros temem comprar remédio falsificado pela rede, receio que as apreensões desta segunda ajudam a explicar.

O próximo passo depende da apuração de origem. A medida preventiva vale desde a publicação e não tem prazo definido para ser revista: ela cai quando a Anvisa concluir a investigação sobre como os lotes falsificados chegaram ao mercado. Até lá, quem opera farmácia, distribuidora ou clínica precisa rechecar o estoque a cada nova resolução publicada no Diário Oficial da União.

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