86% das magistradas atuam em tribunais que pagam mais aos homens
Estudo do Justa cruzou dois anos de folha de 25 tribunais de Justica e achou diferenca anual de ate R$ 56,8 mil entre desembargadores em Rondonia
Um levantamento da organizacao Justa divulgado em 20 de agosto aponta que 86% das magistradas brasileiras trabalhavam, em 2025, em tribunais que pagavam mais aos homens do que as mulheres no mesmo cargo. Em 2024, o percentual era de 82%.
O estudo, intitulado "Genero, Poder e Remuneracao nos Tribunais de Justica Brasileiros", cruzou os pagamentos declarados de janeiro de 2024 a dezembro de 2025 em 25 tribunais de Justica estaduais. Amapa ficou de fora porque nao publicou os dados completos, e Santa Catarina, porque nao permitiu a exportacao estruturada das informacoes.
A conta nao compara cargos diferentes. Ela mede quanto juizes e juizas de mesma posicao na carreira receberam no periodo, somando subsidio e as verbas pagas por fora dele.
Onde estao as maiores diferencas
No primeiro grau, a maior distancia esta em Minas Gerais: a mediana anual das juizas ficou R$ 18.128,18 abaixo da dos juizes. Entre desembargadores, o topo e de Rondonia, com diferenca anual de R$ 56.863,92.
O levantamento tambem separou os pagamentos de maior valor. Dos registros acima de R$ 500 mil em um unico mes, 82% foram para homens. A base reune 83 pagamentos entre R$ 500 mil e R$ 1,7 milhao, e 14 deles passaram de R$ 1 milhao em um so mes. Todos os 14 foram destinados a homens.
Esses valores mensais elevados nao correspondem a salario corrente. Eles costumam reunir pagamentos retroativos, ferias acumuladas e verbas indenizatorias liberadas de uma vez, parcelas que ficam fora do teto constitucional.
O debate dentro do Judiciario
O tema circula no proprio Judiciario. Em 20 de agosto, o Supremo Tribunal Federal reuniu juizas de 37 tribunais para discutir paridade na magistratura, encontro que o DistritoNews acompanhou em reportagem sobre o I Encontro de Juizas.
O Conselho Nacional de Justica mantem desde 2021 uma politica nacional de incentivo a participacao feminina no Judiciario, com metas de composicao em listas de promocao e acesso aos tribunais. A pesquisa do Justa nao foi produzida pelo CNJ.
Em junho de 2026, quatro tribunais de Justica eram presididos por mulheres: Espirito Santo, Parana, Sergipe e Tocantins.
Os dados usados no estudo vem dos portais de transparencia dos proprios tribunais, alimentados por exigencia de resolucoes do CNJ. A divergencia de formato entre as cortes e o motivo apontado pela organizacao para a exclusao de duas delas da amostra.