PF destrói garimpos ilegais e causa prejuízo de R$ 1,4 milhão no Parque Mapinguari
Operação Caraíba IV, com o ICMBio, durou de 28 de julho a 1º de agosto na divisa entre Rondônia e Amazonas
A Polícia Federal e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) destruíram estrutura de garimpo ilegal dentro do Parque Nacional Mapinguari, na faixa de fronteira entre Rondônia e Amazonas, em ação que durou de 28 de julho a 1º de agosto. O prejuízo estimado aos responsáveis pela exploração é de R$ 1.439.700.
A Operação Caraíba IV mirou a extração ilegal de ouro e cassiterita, a exploração de madeira, a invasão de terras públicas e outros ilícitos ambientais na unidade de conservação federal.
O que foi destruído
Os agentes chegaram de aeronave às áreas de garimpo, identificadas por trabalho de inteligência e por imagens de satélite em trechos sem acesso terrestre. Foram destruídos e apreendidos:
- 2 escavadeiras hidráulicas
- 1 trator agrícola
- 15 motores estacionários
- 3 geradores de energia
- 23 acampamentos
- mais de 10 mil litros de combustível
- equipamentos de comunicação e ferramentas de apoio logístico
O combustível é o elo mais caro da cadeia. Sem diesel transportado por via fluvial ou aérea, escavadeira e motor de sucção param, e a reconstrução do garimpo leva semanas.
Por que a quarta edição
O número na sigla da operação indica o problema: a estrutura destruída volta a ser montada. O Mapinguari tem mais de 1,5 milhão de hectares e fica em região de difícil acesso, o que encarece a fiscalização e favorece o retorno dos grupos assim que a equipe deixa a área.
A repetição das ações também tem função probatória. Cada operação alimenta inquérito sobre financiamento, logística e escoamento do minério, que é onde estão os responsáveis com capacidade de pagar por escavadeira e aeronave.
O que o brasiliense tem a ver com isso
As decisões sobre orçamento de fiscalização ambiental, licenciamento e regularização fundiária na Amazônia são tomadas em Brasília, na Esplanada e no Congresso. O ICMBio, o Ibama e a direção-geral da PF ficam na capital, e a disputa sobre marco temporal, mineração em terra indígena e crédito de carbono tramita no STF e nas comissões da Câmara e do Senado.
O ouro extraído de forma ilegal também entra no sistema financeiro nacional por meio de notas fiscais frias, tema de investigações que correm na Justiça Federal do Distrito Federal. Em julho, a PF já havia atuado contra o garimpo na Terra Indígena Baú, no Pará.