PF prende o presidente da Conafer na Operação Sem Desconto
Carlos Lopes é investigado por descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A apuração inclui suspeita de filiações falsas.
A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (12) Carlos Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais, a Conafer, em nova etapa da Operação Sem Desconto. A investigação apura descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.
Entre os pontos apurados está a suspeita de filiações falsas usadas para arrecadar os recursos. Pela mecânica investigada, o aposentado aparece como associado de uma entidade sem ter feito a adesão, e a mensalidade passa a ser descontada direto do benefício.
O que é a Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto é o braço policial da apuração sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários, uma das maiores investigações em curso na Polícia Federal. O foco está em associações e sindicatos que firmaram acordos de cooperação técnica com o INSS e passaram a debitar mensalidades da folha de aposentados e pensionistas.
A Conafer se apresenta como entidade de representação nacional da agricultura familiar. Confederações desse tipo reúnem federações e sindicatos e negociam pautas do setor junto a órgãos federais, o que dá acesso a canais institucionais e a bases de filiados espalhadas pelo país.
A Agência Brasil informou que aguardava manifestação da defesa de Carlos Lopes. Até a publicação desta reportagem, não havia posicionamento divulgado pelo investigado nem pela confederação.
Por que o caso chega a Brasília
A investigação tem endereço no Distrito Federal. A sede do INSS, os ministérios envolvidos na fiscalização e boa parte das entidades que firmaram acordos com o instituto funcionam em Brasília, e etapas anteriores da operação cumpriram mandados na capital. O caso também tramita no Supremo Tribunal Federal, que autorizou fases de busca envolvendo autoridades com foro.
Para o aposentado do DF, o efeito prático da apuração é a devolução de valores descontados sem autorização e o endurecimento das regras de adesão. Desde o início do escândalo, o INSS suspendeu novos acordos de desconto associativo e criou canais para contestação.
Como conferir se há desconto no seu benefício
Quem recebe aposentadoria ou pensão pode verificar a existência de descontos associativos pelo aplicativo ou pelo site Meu INSS, no extrato de pagamento de benefício. A consulta mostra o valor bruto, os descontos aplicados e o nome da entidade beneficiária.
- Acesse o Meu INSS com a conta gov.br
- Abra o extrato de pagamento de benefício
- Confira a linha de descontos e o nome da entidade
- Se não reconhecer a filiação, registre a contestação pelo próprio aplicativo ou pelo telefone 135
O atendimento pelo 135 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. A contestação não exige advogado e não tem custo.
O tamanho da apuração
A Operação Sem Desconto virou uma das maiores investigações em curso sobre desvio de recursos públicos no país, com desdobramentos que alcançam dirigentes de entidades, servidores e intermediários. Etapas anteriores atingiram nomes ligados à cúpula do INSS e a associações que operavam o desconto em folha.
O modelo investigado é sempre o mesmo: a entidade firma acordo com o instituto, ganha autorização para descontar mensalidade direto do benefício e passa a lançar cobranças em nome de aposentados que dizem nunca ter se filiado. Como o desconto costuma ser de valor baixo, ele passa despercebido no contracheque mês a mês, mas se multiplica pela quantidade de beneficiários.
A prisão de dirigentes não encerra a apuração. Nos casos já concluídos, a fase seguinte envolve o bloqueio de bens das entidades e o rastreamento do dinheiro que saiu das contas das associações.
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