Projeto cria política nacional de letramento digital para pessoas idosas
Conecta 60+ prevê cursos em escolas e centros de convivência e campanhas contra golpes na internet
Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 353/26, que institui a Política Nacional de Inclusão e Letramento Digital da Pessoa Idosa, batizada de Conecta 60+. A proposta é do deputado Lincoln Portela (PL-MG) e foi divulgada pela Agência Câmara em 30 de julho.
O texto prevê cursos presenciais e remotos oferecidos em escolas e centros de convivência, com treinamento sobre uso de aparelhos eletrônicos, navegação segura na internet e acesso a serviços digitais. Também estabelece campanhas de prevenção a fraudes on-line e programas intergeracionais, nos quais jovens compartilham conhecimento técnico com pessoas mais velhas.
"O objetivo é promover a autonomia, a segurança, o bem-estar e a participação social da pessoa idosa por meio do acesso e uso de tecnologias digitais", afirma o autor.
O tamanho do problema
O acesso à internet entre pessoas idosas chegou a cerca de 70% em 2024, segundo dados do IBGE citados na justificativa do projeto. Ainda assim, um terço dessa população, o equivalente a 10 milhões de brasileiros, segue desconectada. A principal barreira apontada pelo instituto não é o preço nem a falta de sinal: é não saber usar.
Esse é o ponto que a proposta tenta atacar. Serviços que migraram para o ambiente digital, como agendamento de consultas, consulta a benefícios previdenciários, emissão de documentos e movimentação bancária, passam a exigir domínio de aplicativos e de autenticação em duas etapas.
O mesmo movimento ampliou a exposição a golpes. Fraudes por mensagem instantânea, links falsos de bancos e ligações que simulam atendimento de instituições financeiras têm entre os alvos preferenciais quem tem menos familiaridade com o ambiente digital e recebe benefício mensal.
Os eixos previstos no projeto são:
- cursos presenciais e remotos em escolas e centros de convivência;
- treinamento sobre uso seguro da internet, aparelhos e serviços digitais;
- campanhas de prevenção a fraudes on-line;
- programas intergeracionais de compartilhamento de conhecimento;
- oferta de serviços digitais de uso mais simples.
Tramitação
A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Educação; de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Pela tramitação conclusiva, o texto pode seguir ao Senado sem votação no Plenário da Câmara, salvo recurso de deputados.
Para virar lei, o projeto ainda depende de aprovação dos senadores e de sanção presidencial. Não há prazo definido para a votação nas comissões.