Brasil

Brasil segue fora do Mapa da Fome, aponta novo relatório da ONU

SOFI 2026 mostra subalimentação abaixo de 2,5% no triênio 2023-2025 e insegurança alimentar severa em 0,6%, o menor patamar da série histórica; no mundo, 645 milhões passaram fome em 2025

O Brasil permaneceu fora do Mapa da Fome da ONU pelo segundo ano consecutivo. É o que mostra o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI) 2026, divulgado em 21 de julho na sede da FAO, em Roma, durante a 30ª sessão do Comitê de Agricultura.

No triênio 2023-2025, o país manteve a proporção de população subalimentada abaixo de 2,5%, patamar que define a saída do mapa. O indicador de insegurança alimentar severa, medido pela escala FIES, recuou para 0,6% da população, cerca de 1,2 milhão de pessoas, o menor nível da série histórica brasileira.

Os números do Brasil

  • Subalimentação: abaixo de 2,5% da população no triênio 2023-2025
  • Insegurança alimentar severa: 0,6%, ou 1,2 milhão de pessoas
  • Insegurança moderada ou grave: 9,6%, ou 20,3 milhões de pessoas
  • Custo de uma dieta saudável: US$ 4,89 por pessoa ao dia, em paridade de poder de compra

O custo brasileiro ficou pouco abaixo da média da América Latina e do Caribe, de US$ 4,91 por pessoa ao dia. O dado é o eixo temático desta edição do relatório, que trata do preço de uma alimentação adequada e de quanto ele pesa no orçamento das famílias.

"Esses resultados nos lembram que a fome não é inevitável", afirmou a ministra Fernanda Machiaveli ao comentar os dados, ao defender que o resultado aparece quando governos priorizam o combate à fome.

Fome no mundo cai pelo terceiro ano

No plano global, o SOFI 2026 estima que 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025, o equivalente a 7,8% da população mundial. É o terceiro ano seguido de queda, com redução de 43 milhões de pessoas desde 2022. O relatório pondera que o avanço é frágil, desigual entre regiões e insuficiente para alcançar a meta de fome zero dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.

O documento é produzido em conjunto pela FAO, pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), pelo Unicef, pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Organização Mundial da Saúde. É a principal referência internacional sobre fome, desnutrição e segurança alimentar.

O que o dado significa para Brasília

Sair do Mapa da Fome não elimina a insegurança alimentar. Os 9,6% de brasileiros em insegurança moderada ou grave descrevem quem reduz a quantidade ou a qualidade da comida por falta de dinheiro, situação que a rede de assistência do DF atende todos os dias.

Na capital, a política de alimentação popular aparece no volume dos equipamentos públicos. Os restaurantes comunitários do DF serviram 5,2 milhões de refeições, número que dá a medida da demanda por refeição subsidiada mesmo com o indicador nacional em queda.

O relatório completo está disponível no site da FAO. A próxima edição, com dados do triênio seguinte, deve ser divulgada em julho de 2027.

5 visualizações