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Trump diz que cancelou ataque ao Irã e Teerã nega ter pedido recuo

Presidente americano condicionou a suspensão à abertura do Estreito de Ormuz; agência iraniana chamou a versão de mentira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite deste sábado (1º/8) que cancelou um novo ataque militar ao Irã depois que as partes envolvidas acertaram os parâmetros de um entendimento. No domingo (2/8), veículos ligados ao governo iraniano negaram a versão americana e disseram que quem recuou foi Washington.

O anúncio foi feito na rede social Truth Social. Trump escreveu que os Estados Unidos estavam preparados para atacar a República Islâmica do Irã com um nível de força militar não visto desde a Segunda Guerra Mundial, mas que o Irã e outros países do Oriente Médio pediram a suspensão da ofensiva porque os termos de um acordo já haviam sido acertados.

Segundo o presidente americano, o entendimento prevê a abertura imediata, completa e total do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear iraniana. Ele afirmou ter concordado com o cancelamento em nome do mundo e da sobrevivência de um Irã próspero, desde que o acordo seja fechado rapidamente e que Israel se some ao compromisso.

A negativa iraniana

No domingo, a agência de notícias iraniana Mehr, citando autoridades militares do país, classificou a declaração de Trump como mais uma mentira e afirmou que as Forças Armadas do Irã estão em alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade. Veículos ligados ao governo e ao líder supremo sustentaram que Teerã não pediu a suspensão dos ataques.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o país está totalmente preparado para salvaguardar sua soberania e que qualquer ato de agressão dos Estados Unidos, do governo israelense ou de parceiros regionais receberá resposta firme e proporcional.

De acordo com o site Axios, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, telefonou para Trump no sábado para transmitir preocupação com os planos de bombardeio e pedir redução da tensão. A Casa Branca não detalhou publicamente quais países atuaram como intermediários.

Por que Ormuz importa para o bolso do brasileiro

O Estreito de Ormuz é a passagem entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã por onde escoa boa parte do petróleo produzido no Oriente Médio. A rota responde por cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, segundo a agência de informação de energia dos Estados Unidos.

O Brasil é exportador líquido de petróleo, mas o preço do barril é formado no mercado internacional. Quando a cotação sobe, encarecem a gasolina, o diesel e o querosene de aviação vendidos aqui, mesmo com produção nacional. O diesel é a variável mais sensível para quem mora no Distrito Federal: praticamente todo alimento que chega às centrais de abastecimento e aos supermercados de Brasília vem de caminhão.

A Petrobras adota política de preços que acompanha o mercado externo com defasagem, o que significa que oscilações fortes lá fora costumam demorar semanas para chegar à bomba, quando chegam. Até a publicação desta reportagem, a estatal não havia anunciado reajuste ligado à crise.

O que ainda não está resolvido

Nenhum documento foi divulgado pelos dois governos. Não há prazo público para a assinatura do acordo, nem detalhamento sobre o que significa, na prática, o fim da ameaça nuclear iraniana: se envolve suspensão do enriquecimento de urânio, inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica ou limites de estoque.

Também não houve manifestação formal do governo israelense sobre o compromisso citado por Trump. Enquanto isso, os relatos das duas partes seguem incompatíveis: para Washington, houve pedido iraniano de trégua; para Teerã, houve recuo americano.

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