Vendaval mata cinco em SP e no Rio e deixa 536 mil imóveis sem luz
Rajadas de até 125 km/h derrubaram árvores e muros; Light e Enel Rio ainda trabalhavam no religamento nesta sexta
O vendaval que atingiu São Paulo e o Rio de Janeiro na quarta-feira (29) deixou cinco mortos e um apagão que chegou a 536 mil unidades consumidoras no estado fluminense. As rajadas alcançaram 125 km/h, segundo medições de estações meteorológicas, e derrubaram árvores, muros e postes em dezenas de municípios dos dois estados.
Em São Paulo, morreram três pessoas. Um homem em situação de rua foi atingido por uma árvore na Avenida Almirante Cochrane, em Santos. Em Cesário Lange, na região de Sorocaba, um motorista morreu quando uma árvore caiu sobre o carro. Em São Sebastião, um homem de 50 anos morreu no naufrágio de um barco de pesca no bairro Cigarras. No Rio, duas pessoas morreram no desabamento de um muro em Santa Teresa.
O tamanho do apagão
O corte de energia começou por volta das 16h38 e escalou rápido. Na área da Light, cerca de 400 mil clientes ficaram sem luz. A Enel Rio registrou aproximadamente 136 mil unidades consumidoras atingidas, com os maiores percentuais em Paraty, onde 77,3% dos clientes ficaram no escuro, seguida de Angra dos Reis, com 38,3%, Mangaratiba, com 31,92%, e Duque de Caxias, com 27,64%.
Em São Paulo, a Enel informou que 106 mil clientes chegaram a ficar sem energia na área de concessão, com pico de 62 mil imóveis na capital. O Operador Nacional do Sistema Elétrico registrou uma redução de carga de cerca de 1.500 MW e o desligamento da Subestação Grajaú. As linhas 1, 2 e 4 do MetrôRio também sofreram interrupção de energia.
- Rajada máxima: 125 km/h, com 124,9 km/h em Itaporanga e Itaí (SP) e 117 km/h em Taquarituba (SP)
- Mortos: três em São Paulo e dois no Rio de Janeiro
- Sem energia no RJ: cerca de 400 mil clientes da Light e 136 mil da Enel Rio
- Sem energia em SP: 106 mil clientes da Enel, com pico de 62 mil na capital
- Causa: avanço de frente fria intensa sobre atmosfera aquecida
A Light atribuiu a interrupção a uma falha externa, sem relação com a operação da concessionária, e estabeleceu prazo de até 48 horas para restabelecer o fornecimento nas áreas atingidas. Segundo a empresa, a energia já havia sido normalizada na Zona Sul, no Centro e na Tijuca. A Enel Rio informou ter normalizado o fornecimento para 95% dos clientes afetados até a noite de quinta-feira (30).
O que fazer quando o aparelho queima
Interrupção prolongada e oscilação de tensão costumam danificar eletrodomésticos, e a regra é a mesma em todo o país. A resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) garante ao consumidor o direito de pedir ressarcimento por equipamento danificado por problema no fornecimento.
O pedido é feito diretamente à distribuidora, por telefone ou aplicativo, em até 90 dias do ocorrido. A empresa tem prazo para verificar o equipamento, responder e, se acatar o pedido, pagar ou consertar. Vale guardar nota fiscal, registrar o número de protocolo e fotografar o aparelho antes de qualquer conserto por conta própria, porque reparo feito antes da vistoria costuma inviabilizar a análise.
Por que interessa a Brasília
Além do impacto nacional do episódio, o mesmo direito vale para quem mora no Distrito Federal e sofre com queda de energia após temporal, situação recorrente no período de chuvas da capital. O procedimento junto à Neoenergia Brasília segue as mesmas regras da Aneel, com prazo de 90 dias para o pedido de ressarcimento.
O episódio no Sudeste também reacende a discussão sobre a exigência de planos de contingência das distribuidoras em eventos climáticos extremos, tema que a Aneel tem tratado em fiscalizações após grandes apagões dos últimos anos.