Cidades

Jornalista Luiz Gutemberg morre aos 88 anos em Brasília

Ele estava internado no Hospital do Coração e a causa da morte foi pneumonia; completaria 89 anos em 24 de agosto

O jornalista Luiz Gutemberg morreu na tarde de domingo (16), aos 88 anos, no Hospital do Coração de Brasília. Ele estava internado havia semanas e a causa da morte foi pneumonia. Completaria 89 anos em 24 de agosto.

Gutemberg era um dos nomes que ajudaram a formar a cobertura política feita da capital. Chegou a Brasília em 1969, contratado pela revista Veja para acompanhar os governos militares, e passou as cinco décadas seguintes na cidade.

Alagoano de Maceió, entrou na Gazeta de Alagoas aos 16 anos. Aos 18 mudou para o Rio de Janeiro e foi trabalhar no Jornal do Brasil, no período de reformulação editorial conduzida por Odylo Costa Filho. Também passou pela revista Manchete, ao lado de Alberto Dines e Nahum Sirotsky.

Jornal de Brasília, UnB e o próprio veículo

Na década de 1980 assumiu a editoria-geral do Jornal de Brasília. Depois montou o jornal JOSÉ, publicação dedicada a análise política, e passou a dar aula na Universidade de Brasília. No governo José Sarney, foi assessor especial da Presidência da República.

A televisão ampliou o alcance do seu trabalho. Como analista político da TV Bandeirantes, comentou a eleição presidencial de 1989, a primeira direta depois do regime militar, e o processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992.

O jornal JOSÉ nasceu de uma escolha pouco comum na época: montar um veículo pequeno, dedicado a analisar o poder, dentro da cidade em que o poder funciona. A publicação circulou no período em que a cobertura de Brasília ainda se organizava em torno de sucursais dos grandes jornais do Rio e de São Paulo.

Ele também construiu obra literária. O jogo da gata parida, de 1987, ficou meses nas listas de mais vendidos. A lista de títulos inclui ainda:

  • Romances: O Anjo Americano, O homem que enganou o diabo… e ainda pediu troco, Auto da perseguição e Morte do Mateu.
  • Biografias: Moisés, codinome Ulysses Guimarães, sobre o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, além de Quem é… Pedro Simon e Quem é… Jorge Bornhausen.

O que dizem colegas e entidades

A Associação Brasileira de Imprensa tratou Gutemberg como referência do jornalismo político brasileiro ao registrar a morte. Na UnB, onde ele lecionou, a professora Dione Moura falou sobre a permanência dele na profissão em declaração ao Correio Braziliense.

"Ele representa o jornalismo, por isso o verbo no presente, então fica na história, não sai da história."

O Correio Braziliense informou que ele era casado com a jornalista Rosângela Bittar e era pai de Olívia. O Metrópoles publicou que deixa quatro filhos. Até a publicação desta matéria não havia informação divulgada sobre velório e sepultamento.

Para quem acompanha política em Brasília, o percurso de Gutemberg atravessa praticamente todas as etapas dessa cobertura: a chegada da imprensa nacional à nova capital, o fim do regime militar, a Constituinte, a primeira eleição direta e o primeiro impeachment. Ele cobriu os quatro momentos como repórter, editor, comentarista e autor.

Leia também: A 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional tem últimos dias.

26 visualizações