Politica

Fenaj diz que crise no STF abafa o debate de propostas na campanha

Presidenta da federação afirma à Agência Brasil que caso Master domina o noticiário e critica a lógica de marketing das candidaturas

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que a crise institucional em torno do caso Banco Master domina o noticiário e empurra para segundo plano o debate das propostas dos candidatos, a menos de três semanas do primeiro turno. A avaliação foi dada em entrevista à Agência Brasil publicada nesta terça-feira, 15 de setembro.

Para a dirigente, dois fatores se somam: a busca da grande mídia por audiência imediata e a adesão das candidaturas a uma lógica de marketing de redes sociais. Ela usa um termo próprio para descrever o formato.

"Sofremos um processo violento de 'tiktokização' da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha", declarou Samira de Castro.

Questionada se a imprensa encontraria um equilíbrio entre cobrir a crise e cobrar propostas até 4 de outubro, ela respondeu que não acredita nisso. Segundo a presidenta da Fenaj, a crise já extrapolou o Judiciário e envolve outras instituições, como a Polícia Federal, e deve continuar dominando a cobertura.

A crítica ao jornalismo declaratório

Samira de Castro afirma que a entidade também se preocupa com a forma como o assunto é tratado, e não apenas com o espaço que ele ocupa. Ela cita o que chama de jornalismo declaratório, em que a reportagem se limita a reproduzir falas de autoridades e de advogados sem apuração adicional.

O efeito, na avaliação dela, atinge a disputa eleitoral em dois níveis. As pautas típicas do período, como os programas de governo e as demandas de entidades da sociedade civil, perdem espaço tanto no debate nacional quanto no estadual. Entrevistas e séries sobre problemas estruturais aparecem, diz ela, mas ficam em segundo plano diante do noticiário da crise.

A dirigente reconhece que a cobertura da crise no Supremo Tribunal Federal é necessária e que o assunto gera audiência. O que a entidade defende é a manutenção de uma segunda agenda em paralelo, com visão de prazo mais longo que o calendário eleitoral.

O que a entidade propõe

A Fenaj sustenta que a imprensa precisa insistir na cobertura de temas que não se esgotam na eleição, de modo que a realidade nacional e os desafios futuros continuem sendo informados à sociedade. A federação representa os sindicatos de jornalistas no país e costuma se posicionar sobre condições de trabalho e cobertura editorial.

A entrevista não traz resposta de veículos de comunicação nem das campanhas presidenciais às críticas da entidade. Nenhum dos dois lados divulgou manifestação sobre as declarações até a publicação desta reportagem.

O julgamento no STF sobre a abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes, ligado ao caso Master, ocupou a pauta política nesta terça-feira e é parte do cenário descrito pela Fenaj. A entidade tem levado ao debate eleitoral outras pautas da categoria: em 14 de setembro, uma pesquisa da Fundacentro apresentada em comissão do Senado apontou sintomas de depressão em mais da metade dos jornalistas ouvidos (leia aqui).

O primeiro turno das eleições gerais ocorre em 4 de outubro. No Distrito Federal, os eleitores votam para presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado distrital.

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