Relatório da CLDF liga descarrilamento no Metrô-DF a peça solta e frota parada
Vistoria da Comissão de Transporte apontou 13 dos 32 trens fora de operação e um caso de descarrilamento após o desprendimento de um reator, com R$ 3,5 milhões de prejuízo
O descarrilamento que interrompeu a operação do Metrô-DF na Asa Sul na manhã de terça-feira (28/7) recolocou em circulação um documento produzido um mês antes pela Câmara Legislativa. O relatório da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU), divulgado em 25 de junho, registrou que 13 dos 32 trens do sistema estavam fora de operação e descreveu um episódio anterior em que uma composição descarrilou depois do desprendimento de um reator.
A vistoria técnica foi feita em 29 de maio no pátio de manutenção de Águas Claras, depois de denúncias de que o sistema operava no limite das condições de segurança.
O que a vistoria encontrou
Dos 13 trens parados no dia da inspeção, quatro foram classificados como praticamente irrecuperáveis por inviabilidade técnica e econômica de reparo. Os outros nove poderiam voltar a circular com investimento em manutenção.
O caso mais detalhado no documento é o do trem 19. A composição descarrilou após o desprendimento de um reator, sem feridos, e a recuperação foi estimada em cerca de R$ 3,5 milhões, além da substituição de 300 peças nos trilhos.
O relatório também descreve a prática de retirar componentes de trens encostados para manter outros em circulação, o que a comissão chama de canibalização. Segundo o texto, a companhia evita mandar trens para revisões longas, que podem levar até seis meses, porque a frota disponível não absorve a ausência.
O descarrilamento de terça-feira
O episódio de 28 de julho envolveu o trem 32, durante os preparativos para a operação comercial. Houve o descarrilamento do primeiro rodeiro do carro líder sobre o Aparelho de Mudança de Vias (AMV), entre as estações 110 Sul e 112 Sul.
A circulação foi interrompida no trecho central, e milhares de passageiros desembarcaram na estação Asa Sul para seguir de ônibus. O serviço foi retomado às 13h50, com velocidade reduzida a 20 km/h no trecho afetado. O Metrô-DF informou que o trem foi recolhido para avaliação técnica e que as equipes inspecionaram os trilhos e restabeleceram a energização da via.
A reação na Câmara Legislativa
O presidente da Comissão de Transporte, deputado distrital Max Maciel (Psol), disse que o acidente confirma o diagnóstico do colegiado.
"O acidente reforça os alertas que a Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana tem feito, inclusive sobre a possibilidade de incidentes como esse", afirmou.
O deputado Fábio Felix associou o descarrilamento ao que classificou como sucateamento e falta de investimento no sistema.
O que isso significa para o passageiro
Com 19 composições disponíveis em horário de pico, o intervalo entre trens aumenta e a lotação se concentra nas estações de maior embarque, como Ceilândia, Samambaia e Águas Claras. Cada trem retirado de operação por falha reduz ainda mais essa margem.
- 32 trens compõem a frota total do sistema;
- 13 estavam fora de operação na data da vistoria;
- 4 foram considerados praticamente irrecuperáveis;
- R$ 3,5 milhões é a estimativa de recuperação apenas do trem 19.
A Alstom, fabricante das composições, afirmou manter diálogo com a companhia e disponibilidade para fornecimento de peças. O Metrô-DF não respondeu aos contatos da reportagem que revelou o relatório até o fechamento daquela matéria.
Próximos passos
A comissão cobra do governo distrital um plano de modernização com cronograma e fonte de recursos definidos. Enquanto o plano não sai, a operação segue dependente da manutenção corretiva, aquela feita depois que a falha acontece.
Para o usuário, a orientação prática segue a de sempre em dia de falha: acompanhar os avisos do Metrô-DF nas redes oficiais antes de sair de casa e considerar as linhas de ônibus que fazem o mesmo eixo, já que o sistema não tem via alternativa entre as estações centrais. Nos dias de tempo seco, a espera em plataforma exige atenção redobrada, como no período de baixa umidade que o DF atravessa.