Câmara Legislativa celebra os 62 anos do Instituto Histórico do DF
Sessão solene proposta por Ricardo Vale reuniu integrantes do IHGDF e defendeu a preservação da memória dos pioneiros de Brasília
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou na noite de terça-feira (11) sessão solene em homenagem aos 62 anos do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. A cerimônia foi proposta pelo deputado distrital Ricardo Vale (PT) e reuniu integrantes da entidade e convidados no plenário da Casa.
Criado em 1964, quatro anos depois da inauguração de Brasília, o IHGDF acompanhou a formação da capital praticamente desde o primeiro dia. A instituição se dedica à preservação, ao estudo e à divulgação da história e da cultura do Distrito Federal, com pesquisa, publicações e ações educativas voltadas à memória e ao patrimônio.
Representando a diretoria, o segundo secretário-geral do instituto, Virgílio Caixeta Arraes, agradeceu o reconhecimento da Câmara Legislativa e destacou a relevância da entidade para a vida cultural da capital.
A memória dos pioneiros na pauta
A solenidade também teve a participação do engenheiro Eloy Barbosa de Oliveira, que trabalhou na implantação do sistema elétrico da capital. Ele defendeu a preservação da memória dos pioneiros, geração que chegou ao Planalto Central para levantar a cidade e cujos registros vêm se perdendo com o tempo.
Esse é o ponto que dá sentido prático à homenagem. Brasília é uma cidade jovem, tombada como patrimônio cultural da humanidade pela Unesco desde 1987, e boa parte da sua documentação de origem ainda está em arquivos pessoais, álbuns de família e depoimentos de quem viveu o período da construção. Sem trabalho sistemático de coleta, esse material desaparece junto com a geração que o produziu.
O instituto atua nesse campo com acervo, publicações e encontros de pesquisadores. É o tipo de entidade que raramente aparece no noticiário, mas que sustenta o trabalho de historiadores, professores e jornalistas que precisam checar como determinada quadra foi ocupada, quando um equipamento público foi entregue ou qual o traçado original de uma via.
O que são as sessões solenes
As sessões solenes da Câmara Legislativa são reuniões destinadas a homenagens e comemorações, sem deliberação de projetos. São propostas por um deputado distrital e aprovadas pela Mesa Diretora. Ao longo do ano, a Casa realiza dezenas delas, marcando aniversários de instituições, datas de categorias profissionais e entregas de títulos honoríficos.
No caso do IHGDF, a homenagem chega em um momento de debate sobre o financiamento da cultura no DF. Na sessão ordinária do mesmo dia, deputados cobraram explicações sobre atrasos nos repasses do Fundo de Apoio à Cultura, que atingem projetos em execução na capital.
Uma rede de institutos com dois séculos
Institutos históricos e geográficos formam uma rede antiga no país. O modelo vem do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado em 1838 no Rio de Janeiro, que serviu de referência para congêneres criados em quase todos os estados. São entidades civis, sem fins lucrativos, que reúnem pesquisadores, professores e interessados na história local, mantêm acervo próprio e publicam revistas de pesquisa.
No Distrito Federal, esse trabalho se soma ao do Arquivo Público do DF, que guarda a documentação oficial do governo local, e ao acervo do Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante, instalado no antigo hospital que atendeu os operários da construção. Cada um cobre uma fatia diferente do registro: o documento de governo, o objeto do cotidiano e a pesquisa acadêmica.
A capital completou 66 anos em abril de 2026. É pouco tempo para um conjunto urbano reconhecido pela Unesco, e a diferença entre memória preservada e memória perdida se decide agora, enquanto ainda vivem pessoas que participaram da construção.
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