Candidaturas de mulheres caem 26,9% no DF na eleição de 2026
TSE registra 231 candidatas neste ano contra 316 em 2022; disputa pela Câmara Legislativa concentra 151 nomes
O Distrito Federal registrou 231 candidaturas de mulheres na eleição de 2026, contra 316 em 2022, uma queda de 26,9%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidados em 21 de agosto. São 85 registros a menos em quatro anos, no mesmo pleito em que o eleitorado do DF é majoritariamente feminino.
A proporção de mulheres no total de candidaturas, porém, praticamente não mudou: elas são 35,3% dos 655 registros apresentados neste ano, ante 35,4% em 2022. O que encolheu foi o tamanho do conjunto. A queda atinge todos os cargos em disputa no DF, do Buriti à Câmara Legislativa.
Como as 231 candidaturas se distribuem
O maior bloco está na disputa pela Câmara Legislativa. O detalhamento do TSE mostra a seguinte divisão:
- 151 candidatas a deputada distrital;
- 64 a deputada federal;
- 4 ao Senado;
- 3 ao governo do DF;
- 4 a vice-governadora;
- 5 a suplência de senadora.
O prazo para o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral se encerrou em 15 de agosto. Os números seguem sujeitos a ajuste enquanto os pedidos são julgados pelos tribunais regionais, o que pode alterar o total até a impressão das urnas.
A regra dos 30% e o que ela alcança
A legislação eleitoral obriga cada partido ou federação a preencher no mínimo 30% e no máximo 70% das vagas de candidatura de cada sexo nas eleições proporcionais, que no DF são as disputas por deputada distrital e deputada federal. A exigência vale para o número de candidaturas apresentadas, não para o de eleitas.
É por isso que o percentual de mulheres pode ficar estável enquanto o número absoluto cai: quando a legenda reduz o total de nomes lançados, o piso de 30% passa a incidir sobre uma base menor. A cota mínima segue cumprida, e a presença feminina na urna diminui.
Para as disputas majoritárias, como governo do DF e Senado, não há reserva por sexo. Nesses cargos, a composição depende exclusivamente da escolha de cada partido em convenção.
Um eleitorado feminino e uma urna com menos mulheres
O contraste aparece quando os dois dados são postos lado a lado. O eleitorado do Distrito Federal chegou a 2,25 milhões de pessoas em 2026 e é majoritariamente formado por mulheres, conforme o levantamento do TSE divulgado neste ano. A oferta de candidaturas femininas, no entanto, caiu mais de um quarto.
A eleição de 4 de outubro define no DF oito deputados federais, 24 deputados distritais, dois senadores, além do governador e do vice. O eleitor vota em dois nomes para o Senado neste ano, porque duas das três cadeiras do DF estão em jogo.
Para entender como funciona o voto duplo para o Senado, veja o que muda na urna do brasiliense em 2026.
O que ainda pode mudar
Os registros passam agora pela análise da Justiça Eleitoral, que verifica documentação, prestação de contas anterior e eventuais condenações que atraiam a Lei da Ficha Limpa. Candidaturas indeferidas saem da conta, e substituições são possíveis dentro dos prazos legais.
Os números completos, por partido e por cargo, ficam disponíveis no sistema DivulgaCandContas, do TSE, que reúne os pedidos de registro, os bens declarados e as prestações de contas de campanha.