Aluguel em Brasília sobe 9,98% em 12 meses, 4,6 vezes o índice que reajusta contrato
Índice FipeZAP mostra o metro quadrado a R$ 54,13 na capital, com Setor Sudoeste a R$ 86,80 e Sobradinho a R$ 21,10
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O preço pedido para alugar apartamento em Brasília chegou a R$ 54,13 por metro quadrado em agosto, alta de 9,98% em 12 meses. A variação é 4,6 vezes a do IGP-M, o índice historicamente usado para reajustar contrato de aluguel.
- R$ 54,13 por m² é o preço médio pedido em novos anúncios de aluguel na capital.
- +9,98% em 12 meses, contra 4,22% do IPCA e 2,16% do IGP-M no mesmo período.
- -0,79% em agosto: Brasília teve a terceira maior queda mensal entre as 22 capitais.
- Setor Sudoeste lidera com R$ 86,80 por m² e Sobradinho fecha a lista com R$ 21,10.
- Águas Claras teve a maior alta em 12 meses entre as regiões do DF: 20,4%.
Os números estão no informe de agosto do Índice FipeZAP de Locação Residencial, produzido pela Fipe em parceria com o Grupo OLX. O levantamento acompanha anúncios de apartamentos prontos em 36 cidades. Em Brasília, a amostra do mês teve 993 anúncios.
Quanto custa o aluguel em cada região do DF
A ficha de Brasília no informe traz dez regiões com peso suficiente na amostra para ter preço próprio. A distância entre a primeira e a última é de mais de quatro vezes: no Setor Sudoeste, um apartamento de 70 m² sai por cerca de R$ 6.076 de aluguel pedido; em Sobradinho, o mesmo tamanho fica em torno de R$ 1.477.

| Região | Preço médio (R$/m²) | Variação em 12 meses |
|---|---|---|
| Setor Sudoeste | R$ 86,80 | -3,9% |
| Asa Norte | R$ 68,00 | +14,2% |
| Lago Norte | R$ 61,60 | +5,1% |
| Águas Claras | R$ 55,20 | +20,4% |
| Asa Sul | R$ 41,20 | -2,4% |
| Taguatinga Sul | R$ 33,20 | +10,6% |
| Taguatinga Norte | R$ 27,20 | +3,5% |
| Riacho Fundo | R$ 26,00 | +12,9% |
| Ceilândia Sul | R$ 25,50 | -1,0% |
| Sobradinho | R$ 21,10 | +6,7% |
Três regiões estão mais baratas do que há um ano: Setor Sudoeste, Asa Sul e Ceilândia Sul. A Fipe informa que não divulga tabela de preço para bairros fora das áreas mais representativas da amostra, o que deixa de fora regiões administrativas com menos anúncios de apartamento, como Planaltina e Brazlândia.
Por que o reajuste do meu contrato não sobe 9,98%
O índice mede o preço pedido em anúncios de novos aluguéis. Ele não incorpora a correção dos contratos em vigor, que segue o índice escrito no papel. Quem já mora no imóvel e tem contrato indexado ao IGP-M recebeu, nos reajustes deste mês, uma correção de 2,16%, o acumulado em 12 meses até agosto medido pela FGV. O IGP-M já havia caído 1,16% em julho e acumula apenas 1,85% em 2026.

A diferença explica um efeito comum no mercado: quem está há anos no mesmo imóvel costuma pagar menos que o vizinho que acabou de assinar contrato. É também o que sustenta a ação revisional prevista no artigo 19 da Lei do Inquilinato, a Lei 8.245/1991: depois de três anos de contrato ou do último acordo, locador ou inquilino podem pedir à Justiça a revisão do valor para ajustá-lo ao preço de mercado.
O preço caiu em agosto, e isso não aconteceu na maioria das capitais
No mês, o preço pedido em Brasília recuou 0,79%. Foi a terceira maior queda entre as 22 capitais monitoradas, atrás de Aracaju, com -2,20%, e Belém, com -0,80%. Também tiveram recuo Maceió, João Pessoa e Manaus. Nas outras 16 capitais o preço subiu, com destaque para Vitória, com alta de 4,01%, e Campo Grande, com 3,85%.
No acumulado do ano, a capital federal sobe 6,09%, abaixo da média das 36 cidades do índice, que é de 6,56%. Em valor absoluto, Brasília ocupa a décima posição entre as 22 capitais: está atrás de São Paulo (R$ 65,36), Recife (R$ 64,19), Belém (R$ 62,15), Rio de Janeiro (R$ 61,40), Florianópolis (R$ 61,19), São Luís (R$ 57,74), Vitória (R$ 56,88), Maceió (R$ 56,03) e Salvador (R$ 54,90).
Quanto rende alugar um imóvel na capital
O informe também calcula o retorno do aluguel, a relação entre o que o imóvel rende por ano e o preço de venda. Em Brasília, o indicador ficou em 0,52% ao mês e 6,30% ao ano, acima da média nacional de 6,14%. O número interessa a quem compra para alugar: ele mede quanto tempo o aluguel leva para devolver o capital investido, sem contar valorização, vacância e custos de manutenção.
O que dá para fazer quando chega o reajuste
O reajuste do aluguel residencial é anual e segue o índice previsto em contrato. Antes de assinar a renovação, vale conferir:
- Qual índice está no contrato. IGP-M e IPCA andam diferente. Em 12 meses até agosto, o IGP-M variou 2,16% e o IPCA, 4,22%.
- Se o valor pedido está fora do mercado da região. A tabela acima serve de referência: multiplique o preço por m² da sua região pela área do imóvel.
- Que a mudança de índice pode ser negociada. O artigo 18 da Lei do Inquilinato permite que as partes fixem novo valor de comum acordo e alterem a cláusula de reajuste a qualquer tempo.
- Que a revisão judicial tem prazo. Só cabe após três anos de vigência do contrato ou do último acordo, pelo artigo 19 da mesma lei.
- Onde pedir ajuda. O Procon-DF atende pelo telefone 151 e pelo site procon.df.gov.br; a Defensoria Pública do DF atende quem não tem condições de contratar advogado.
Para quem perdeu a moradia por enchente, incêndio ou risco estrutural, o GDF mantém um programa de apoio temporário: veja como funciona o Auxílio Aluguel do GDF em caso de perda involuntária da moradia.
O próximo informe do Índice FipeZAP de Locação, com os dados de setembro, sai na primeira quinzena de outubro. O IGP-M de setembro, que vai balizar os reajustes de outubro, será divulgado pela FGV em 29 de setembro.