Bancários param 24 horas e negociação com bancos volta na segunda
Categoria rejeitou a proposta da Fenaban com 97,66% dos votos; nova rodada é em 24 de agosto
Os bancários de todo o país pararam por 24 horas na quinta-feira, 20 de agosto, para pressionar os bancos a apresentarem um índice de reajuste na Campanha Nacional Unificada de 2026. A negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi remarcada para esta segunda-feira, 24 de agosto.
A paralisação foi aprovada em assembleias depois que a categoria rejeitou a proposta patronal. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a rejeição alcançou 97,66% dos votos, e a decisão de parar por 24 horas teve 89,34% de aprovação.
O que estava na mesa
A assembleia foi convocada após a sétima rodada de negociação, quando a Fenaban não apresentou índice de reajuste para salários e demais verbas. No lugar disso, dois pontos entraram na proposta e foram o estopim do movimento: um modelo de reajuste diferenciado por três faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso para quem for contratado a partir de agora.
Na oitava rodada, realizada em 18 de agosto, os bancos recuaram das duas propostas. O impasse permaneceu porque a federação seguiu sem colocar um percentual de reajuste na mesa, segundo as entidades sindicais que participam da negociação. A reportagem não localizou balanço próprio divulgado pela Fenaban sobre a adesão à paralisação.
- Data da paralisação: quinta-feira, 20 de agosto de 2026, por 24 horas
- Rejeição da proposta: 97,66% dos votos em assembleia, segundo o sindicato paulista
- Aprovação da parada: 89,34%
- O que os bancos retiraram em 18/08: reajuste por três faixas salariais e congelamento do piso de ingresso
- O que continua em aberto: o índice de reajuste de salários e demais verbas
- Próxima rodada: segunda-feira, 24 de agosto
O que muda para quem usa banco
Em dia de paralisação, o atendimento presencial nas agências é o serviço mais afetado, enquanto os canais digitais seguem no ar. Aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos e Pix não dependem do funcionamento da agência física, e a compensação de documentos é regulada por prazo bancário, não pelo horário de balcão.
Quem precisa de serviço presencial em dia de mobilização deve verificar a situação da agência antes de sair de casa. O canal mais confiável é o próprio aplicativo do banco, que informa o funcionamento de cada unidade, ou o telefone da central de atendimento.
A campanha salarial dos bancários é uma das poucas negociações coletivas de alcance nacional no país, com data-base em 1º de setembro. O reajuste acordado vale para o conjunto da categoria, e não por banco.
O calendário pressiona os dois lados. A data-base da categoria é 1º de setembro, e o acordo precisa estar fechado antes disso para que o reajuste seja aplicado sem retroativo negociado à parte. Cada rodada sem índice na mesa encurta o prazo.
Além do reajuste, a pauta da campanha inclui a manutenção do piso de ingresso, a participação nos lucros e resultados e cláusulas sobre saúde e condições de trabalho, itens que costumam ser fechados em bloco na reta final.
O setor financeiro tem presença forte em Brasília, com agências concentradas no Setor Bancário Sul e no Setor Bancário Norte, além das sedes de bancos públicos. Outra frente que envolve o sistema financeiro na capital foi noticiada nesta semana: leia PF pede mais 60 dias e amplia investigação sobre diretores do BRB.