Dólar cai 1% e fecha a R$ 5,142; Ibovespa sobe 1,85%
Moeda americana atingiu o menor nível em três meses no exterior e a bolsa encerrou aos 171.031,73 pontos
O dólar comercial fechou a sexta-feira, 21 de agosto, cotado a R$ 5,142, com queda de 1% no dia, segundo a Agência Brasil. No mesmo pregão, o Ibovespa subiu 1,85% e encerrou aos 171.031,73 pontos.
O movimento foi puxado pelo enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior. A divisa chegou ao menor nível em três meses no mercado internacional diante das expectativas em torno das operações de recompra de títulos de longo prazo pelo Tesouro dos Estados Unidos.
A recompra de títulos, conhecida no mercado pelo termo em inglês buyback, é a operação em que o próprio Tesouro americano compra de volta papéis já emitidos. Quando o mercado espera esse tipo de intervenção, os juros longos dos Estados Unidos tendem a ceder, e um juro americano menor reduz a atratividade relativa da moeda do país. O efeito costuma aparecer no mesmo dia nas moedas de países emergentes.
O que empurrou o mercado
Três fatores foram citados no balanço do dia: o comportamento do dólar no exterior, a expectativa em torno do cenário eleitoral brasileiro e o maior apetite por ativos de risco. A combinação favorece a bolsa e pressiona a moeda americana para baixo, movimento típico de sessões em que investidores estrangeiros aumentam a exposição a mercados emergentes.
- Dólar comercial: R$ 5,142 no fechamento de 21 de agosto
- Variação do dia: queda de 1%
- Ibovespa: 171.031,73 pontos, alta de 1,85%
- Fator externo: dólar no menor nível em três meses no mercado internacional
O que muda no bolso
A cotação mais baixa alivia o custo de itens ligados à moeda americana. Passagem aérea internacional, compra em site estrangeiro, assinatura de serviço cobrado em dólar e pacote de viagem sentem o efeito de forma direta, ainda que a conversão nos cartões considere o câmbio do dia da compra somado ao Imposto sobre Operações Financeiras.
Na outra ponta, exportadores perdem receita em reais quando o dólar cai. É o caso de parte do agronegócio e da indústria voltada ao mercado externo, que trabalham com contratos em moeda estrangeira.
O efeito sobre preços internos não é imediato. Combustíveis, fertilizantes, trigo e insumos industriais têm repasse defasado, e uma queda de um único pregão não altera a política de preços das empresas. O que importa para a inflação é a média sustentada ao longo de semanas.
Para quem tem viagem marcada, a regra prática é a mesma de sempre: comprar moeda em parcelas, em datas diferentes, reduz o risco de acertar o pior dia. A cotação comercial divulgada no fechamento não é a mesma paga na casa de câmbio, que aplica spread e tributos.
Quem quiser conferir a taxa oficial não precisa depender de cotação de tela. O Banco Central divulga diariamente a Ptax, média das operações do mercado interbancário usada como referência em contratos, no próprio site da autoridade monetária. É esse número, e não o do painel da corretora, que serve de parâmetro em disputas contratuais e em conversões oficiais.
O câmbio também entra na conta do setor aéreo, que paga combustível e arrendamento de aeronaves em dólar. Sobre o movimento recente do setor, leia Voos domésticos batem recorde com 59 milhões de passageiros.