PF pede mais 60 dias e amplia investigação sobre diretores do BRB
Perícia da Operação Compliance Zero incluiu integrantes da Diretoria Colegiada do banco do GDF entre os investigados
A Polícia Federal pediu mais 60 dias para concluir o primeiro inquérito sobre as fraudes do Banco Master, depois de identificar a participação de outros diretores do Banco de Brasília (BRB) no esquema. O pedido foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O BRB é o banco público do Distrito Federal e tem o Governo do DF como acionista controlador, o que torna a apuração um assunto direto para o brasiliense. A primeira etapa da Operação Compliance Zero mira a compra de títulos sem lastro pelo banco distrital.
Estão no foco da investigação o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e diretores do banco. Todos são investigados e nenhum foi condenado. A informação sobre o pedido de prorrogação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Correio Braziliense.
O que a perícia encontrou
Segundo o documento enviado ao Supremo, o trabalho pericial identificou nomes que ainda não figuravam formalmente entre os investigados e apontou falhas no processo decisório interno do banco.
As conclusões constantes deste trabalho pericial revelaram fatos novos e permitiram a individualização da atuação de agentes que até então não figuravam formalmente entre os investigados, tornando necessária a inclusão de integrantes da DICOL no polo passivo da investigação e a realização de suas respectivas oitivas, providências essenciais para o completo esclarecimento dos fatos
A DICOL é a Diretoria Colegiada do BRB, instância que delibera sobre operações de maior porte. No mesmo documento, a PF afirma ter identificado possíveis descumprimentos de normativos internos, fragilidades de governança, concentração excessiva de risco e aprovação de operações em desacordo com os procedimentos regulares de controle.
O que vem pela frente
O relatório final do inquérito deve trazer o indiciamento dos alvos. Investigadores ouvidos pelo Correio Braziliense sob condição de anonimato afirmam que o volume de recursos apurado foi maior do que se estimava no início e que surgiram novas pistas sobre o envio de dinheiro a paraísos fiscais.
- Prazo pedido: mais 60 dias para concluir a apuração.
- Quem decide: o ministro André Mendonça, relator no STF.
- Objeto desta etapa: a compra de títulos sem lastro pelo BRB.
- Novidade: inclusão de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB entre os investigados.
- Próximo passo: novos depoimentos nas próximas semanas.
A Operação Compliance Zero foi desdobrada em frentes distintas. Outras linhas apuram remessas de recursos ao exterior e a contratação de influenciadores e jornalistas para atacar o Banco Central nas redes sociais. Até agora, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é o único preso na operação.
O BRB não publicou nota sobre o pedido de prorrogação até a noite desta sexta-feira. Em maio, o DistritoNews mostrou a posição da vice-governadora sobre o tema, quando Celina Leão negou participação em decisões sobre o BRB e a crise do Banco Master.