Conab estima safra de grãos em 360,8 milhões de toneladas
11º levantamento aponta alta de 2,4% no ciclo 2025/26, com queda em arroz, feijão e trigo
A safra brasileira de grãos de 2025/26 deve chegar a 360,8 milhões de toneladas, segundo o 11º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na quinta-feira (13/8). O volume é 2,4% maior que o da temporada anterior, um acréscimo de 8,5 milhões de toneladas.
A área plantada chegou a 83,5 milhões de hectares, expansão de 2,1% em relação ao ciclo passado. A produtividade média estimada é de 4.322 quilos por hectare.
Os números por cultura
- Soja: 180,5 milhões de toneladas, o maior volume entre todas as culturas do levantamento.
- Milho: 143 milhões de toneladas, com perdas atribuídas ao clima na região Nordeste.
- Arroz: 11,1 milhões de toneladas, em queda pela redução da área plantada.
- Feijão: 3 milhões de toneladas, 3,2% abaixo do ciclo anterior.
- Algodão: 5,8 milhões de toneladas de caroço, equivalentes a 4,1 milhões de toneladas de pluma.
- Trigo: 5,8 milhões de toneladas, queda de 26,2% na comparação com 2025.
Os levantamentos da Conab são mensais e revisam a estimativa conforme o avanço da colheita e as condições climáticas de cada região. O número consolidado só é fechado no fim do ciclo, o que explica as variações entre uma edição e outra.
O que muda no preço do alimento
Safra maior tende a pressionar os preços para baixo, mas o efeito na mesa do consumidor depende de outras variáveis: custo do frete, câmbio, demanda externa e estoques de passagem. Grãos com forte peso na exportação, como a soja, respondem mais ao mercado internacional do que à oferta interna.
A queda na produção de arroz e de feijão é o dado que mais interessa a quem faz compra de supermercado, porque são culturas voltadas sobretudo ao abastecimento doméstico. Redução de oferta nesses dois itens costuma aparecer nos índices de inflação de alimentos com algumas semanas de defasagem.
No caso do trigo, a queda de 26,2% aumenta a dependência da importação, principalmente da Argentina. O grão é insumo de pão, massas e biscoitos, itens de consumo recorrente no orçamento das famílias.
No Distrito Federal, a produção de grãos se concentra na região do Programa de Assentamento Dirigido (PAD-DF), no leste da unidade federativa, área de cerrado com lavouras de soja, milho, feijão e trigo. A produção local abastece parte da demanda regional e segue o mesmo calendário de plantio e colheita do Centro-Oeste.
A Conab é a empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura responsável por acompanhar a produção agrícola e a formação de estoques públicos. O levantamento combina pesquisa de campo nos estados produtores, imagens de satélite e dados de comercialização, e serve de referência para o setor privado, para a política de abastecimento e para a projeção de safra usada em contratos futuros.
O desempenho da soja tem sustentado o resultado da balança comercial do agronegócio nos últimos ciclos. O Brasil vem batendo recordes sucessivos de embarque, como mostra o recorde de exportação registrado na safra histórica.
O próximo levantamento da Conab, que encerra a série do ciclo 2025/26, deve trazer os números consolidados de colheita e a primeira leitura sobre a intenção de plantio da temporada seguinte.