Copom corta a Selic para 14% ao ano no quarto recuo seguido
Decisão desta quarta reduz a taxa básica em 0,25 ponto e passa a valer nesta quinta-feira, 6 de agosto
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano na reunião encerrada nesta quarta-feira, 5 de agosto, em Brasília. O corte de 0,25 ponto percentual é o quarto consecutivo e passa a valer nesta quinta-feira, 6.
Foi a 280ª reunião do colegiado, realizada em dois dias na sede da autoridade monetária, no Setor Bancário Sul. A decisão confirmou a aposta majoritária do mercado financeiro, que trabalhava com redução de 0,25 ponto desde a divulgação dos últimos dados de inflação.
No comunicado que acompanha a decisão, o Copom afirmou que o "novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação" e acrescentou que "essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica".
O ciclo de cortes começou em março
A Selic vinha de 15% ao ano, patamar em que ficou entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O afrouxamento começou na reunião de 18 de março, quando a taxa caiu para 14,75%, e seguiu em 29 de abril, para 14,50%, e em 17 de junho, para 14,25%. Todas as reduções foram de 0,25 ponto.
- Março de 2026: de 15% para 14,75% ao ano
- Abril de 2026: de 14,75% para 14,50% ao ano
- Junho de 2026: de 14,50% para 14,25% ao ano
- Agosto de 2026: de 14,25% para 14% ao ano
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo, o que estabelece o teto em 4,5%. As projeções de mercado seguem acima desse limite: o Boletim Focus divulgado em 3 de agosto trouxe estimativa de 5,03% para o IPCA de 2026, ante 5,12% na semana anterior.
O que muda para quem toma crédito
A Selic é a taxa de referência da economia e baliza o custo do dinheiro em toda a cadeia de crédito. A queda não chega ao consumidor de imediato: bancos ajustam as linhas em ritmos diferentes, e as modalidades mais caras, como o rotativo do cartão e o cheque especial, respondem menos ao movimento porque embutem risco de inadimplência.
O efeito costuma aparecer primeiro no crédito com garantia, caso do consignado e do financiamento imobiliário, e nas linhas para capital de giro das empresas. No Distrito Federal, o peso é relevante para o setor de serviços e para o comércio, que operam com estoque financiado e sentem a alteração no custo de rolagem das dívidas.
No sentido inverso, quem tem dinheiro aplicado em renda fixa passa a receber um pouco menos. A caderneta de poupança mantém o rendimento de 0,5% ao mês mais TR enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, regra que segue valendo com a taxa em 14%.
O mercado projeta 13,75% no fim do ano
O Boletim Focus, pesquisa semanal que o Banco Central faz com instituições financeiras, projeta a Selic em 13,75% ao ano no fechamento de 2026. Se a estimativa se confirmar, resta apenas mais um corte de 0,25 ponto até dezembro.
O ritmo dependerá do comportamento da inflação nos próximos meses e do cenário externo. O Copom não indicou no comunicado o tamanho do próximo passo, prática que a autoridade monetária vem adotando para preservar margem de manobra entre uma reunião e outra.
O custo dos juros também aparece do lado das empresas. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostrou que 39% das indústrias apontaram o endividamento bancário como entrave à atividade, um indicador que costuma responder com defasagem aos movimentos da Selic.