Copom corta a Selic para 13,75% ao ano no quinto recuo seguido
Nova taxa vale a partir desta quinta-feira (17); em seis meses, o juro básico caiu 1,25 ponto, com a inflação em 4,22% em 12 meses
A taxa básica de juros da economia brasileira caiu para 13,75% ao ano. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira (16), no fim da reunião iniciada na véspera, e reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual.
A nova taxa passa a valer nesta quinta-feira (17) e segue até a próxima reunião do comitê, prevista para novembro. É a quinta redução seguida desde março.
Antes do ciclo atual, a Selic ficou parada em 15% ao ano por três reuniões consecutivas, até janeiro de 2026. O recuo começou em 18 de março, com o primeiro corte de 0,25 ponto, e se repetiu em abril, junho, agosto e agora em setembro. No total, a taxa caiu 1,25 ponto em seis meses.
Por que a taxa está caindo
O corte acompanha a perda de força da inflação. O IPCA acumula 4,22% em 12 meses até agosto, segundo o IBGE, e no próprio mês de agosto o índice foi negativo em 0,32%. Em julho a variação havia sido de 0,07%.
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. O teto, portanto, é de 4,5%, acima do índice acumulado atual.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar preços. Juro alto encarece o crédito e segura o consumo, o que reduz a pressão sobre a inflação. Quando os preços cedem, o comitê passa a ter espaço para baixar a taxa e destravar o crédito.
O que muda para o consumidor
- Empréstimo pessoal e consignado: reagem primeiro, porque os bancos recalculam a oferta com frequência;
- Financiamento imobiliário: o repasse é lento e atinge contratos novos; quem já assinou com taxa fixa não sente diferença;
- Cartão de crédito rotativo: segue como a linha mais cara do mercado, com juros na casa dos três dígitos ao ano;
- Poupança: com a Selic acima de 8,5% ao ano, o rendimento continua em 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial;
- Renda fixa pós-fixada: Tesouro Selic, CDB e fundos DI passam a render menos, porque acompanham a taxa.
A queda também alivia a conta pública. Parte relevante da dívida federal é corrigida pela Selic, e cada corte reduz a despesa do governo com juros ao longo do tempo.
Próximos passos
A ata da reunião, com o detalhamento do voto dos membros do comitê, é divulgada na terça-feira seguinte à decisão, às 8h, no site do Banco Central. É nela que o mercado busca sinais sobre o tamanho do próximo corte.
O Copom é formado pelo presidente do Banco Central e pelos oito diretores da instituição, e se reúne oito vezes por ano, em encontros de dois dias. A próxima reunião é a última de 2026.
Na semana passada, o comitê já era esperado para cortar a taxa: o mercado projetava a redução de 14% para 13,75%, patamar confirmado agora pela decisão.