GDF nega retenção de R$ 9 bilhões do orçamento para preservar caixa do BRB
Secretaria de Economia diz que decretos de ajuste respondem a déficit de R$ 5,4 bilhões e não à liquidez do banco
A Secretaria de Economia do Distrito Federal negou nesta terça-feira (21/7) que o GDF esteja retendo recursos do orçamento para preservar o caixa do BRB. Em nota, a pasta afirmou que as medidas fiscais em vigor não têm relação com a situação financeira do banco.
A resposta veio após reportagem do UOL apontar que o governo local manteria cerca de R$ 9 bilhões do orçamento de 2026 depositados no banco. Segundo a publicação, o valor, destinado a despesas e investimentos, funcionaria como capital de giro para afastar o risco de intervenção do Banco Central por falta de liquidez.
A Secretaria de Economia rebateu a leitura e disse que os decretos de ajuste respondem a um problema anterior: o déficit de R$ 5,4 bilhões identificado nas contas de 2026 em março. As medidas de controle da execução orçamentária, segundo a pasta, buscam corrigir o descumprimento do artigo 167-A da Constituição Federal, que trata do equilíbrio entre receitas e despesas.
"As medidas têm como finalidade assegurar a sustentabilidade das contas públicas e encerrar os quatro anos de gestão com equilíbrio e responsabilidade fiscal", afirmou a Secretaria de Economia, acrescentando que os decretos não guardam "qualquer relação com a gestão de liquidez ou a situação financeira do BRB".
Crise aberta pelo caso Master
O BRB enfrenta pressão de liquidez desde que a compra de parte do Banco Master, anunciada em 2025, se transformou em investigação e derrubou a confiança de investidores no banco público do DF.
Nas últimas semanas, o cerco se estreitou em várias frentes:
- o STF homologou acordo que permite ao banco captar até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com liberação prevista até o fim de julho;
- o BRB rompeu a negociação de R$ 15 bilhões em ativos com a Quadra Capital;
- um relatório interno da própria Secretaria de Economia, de 26 de junho, chegou a projetar contingenciamento severo por causa das contragarantias do socorro, documento que a pasta classificou depois como análise prévia, sem validade técnica.
O relatório, elaborado pela Secretaria Executiva de Gestão da Estratégia e revelado pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, chegava a mencionar congelamento salarial entre os efeitos possíveis. O documento advertia que as cotas oferecidas como contragarantias "reduzirão a liquidez do Tesouro" e forçariam um "contingenciamento iminente". A Economia respondeu que o setor "não possui competência para realizar análises sobre a situação fiscal do DF".
O desenho do socorro foi costurado em junho pela governadora Celina Leão em reuniões com o Banco Central, a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Fazenda, antes da homologação do acordo pelo STF.
Os recursos do FGC são a aposta central para recompor o caixa. Como o DistritoNews mostrou, a liberação dos R$ 6,6 bilhões deve ocorrer até o fim de julho, com contragarantias que incluem cotas do Fundo de Participação dos Estados.
Por que isso importa para o brasiliense
O BRB é o banco onde o GDF concentra a folha dos servidores, programas sociais como o DF Social e boa parte do crédito local. Qualquer aperto de liquidez no banco afeta diretamente o dia a dia de quem recebe ou financia pelo BRB.
Ao mesmo tempo, os decretos de ajuste fiscal citados pela Secretaria de Economia limitam a execução de despesas do governo local neste segundo semestre. O tamanho do contingenciamento e as áreas atingidas ainda não foram detalhados pela pasta.
A crise também entrou no radar político. A governadora Celina Leão nega participação nas decisões que levaram o BRB à crise do Banco Master, e o caso deve seguir como tema central do debate eleitoral no DF até outubro.