Governo abre processo de reciprocidade contra as tarifas dos Estados Unidos
Camex acionou a Lei 15.122/2025 e o Itamaraty notificou Washington para pedir consultas diplomáticas sobre as medidas unilaterais americanas
O governo brasileiro abriu nesta quinta-feira, 13, o processo para avaliar a adoção de medidas de reciprocidade contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) compartilhou o pedido com os integrantes do Comitê Executivo de Gestão na mesma data.
A iniciativa se apoia na Lei da Reciprocidade Econômica (Lei 15.122/2025) e considera as medidas unilaterais adotadas pelo governo americano. O Ministério das Relações Exteriores notificou Washington sobre a abertura do processo e pediu consultas diplomáticas.
O que é o processo de reciprocidade
A lei aprovada em 2025 criou o instrumento que permite ao Brasil responder a barreiras comerciais unilaterais impostas por outros países. Abrir o processo não significa retaliar de imediato: é a etapa de avaliação, em que o Comitê Executivo de Gestão da Camex examina as medidas estrangeiras, ouve os setores atingidos e decide se recomenda contramedidas.
O pedido de consultas diplomáticas é a via preferencial prevista nesse tipo de contencioso. Só depois de esgotada a negociação é que entram em pauta medidas concretas, como sobretaxas a produtos americanos ou restrições em outras áreas.
O argumento do governo brasileiro
Desde o início da imposição de tarifas pela administração Trump, o Brasil vem sustentando que a relação comercial entre os dois países é superavitária para os Estados Unidos, ou seja, os americanos vendem mais ao Brasil do que compram.
Em comunicado, o governo brasileiro afirmou que vai continuar trabalhando para reduzir os prejuízos causados pelas tarifas à economia do país e à renda da população.
O que já foi medido de impacto
As tarifas americanas já aparecem nos números do comércio exterior brasileiro. O tarifaço reduziu embarques em setores expostos ao mercado americano, e o tema atravessou a pauta econômica do primeiro semestre, com pedidos de socorro de exportadores e discussões sobre linhas de crédito emergenciais.
Para o Distrito Federal, o efeito é mais indireto que em estados exportadores como São Paulo e Rio Grande do Sul, porque a economia local é fortemente concentrada em serviços e administração pública. Ainda assim, Brasília é onde a decisão se constrói: Camex, Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços operam a partir da Esplanada, e o desfecho do contencioso passa por reuniões na capital.
O que pode vir depois da avaliação
A Lei da Reciprocidade prevê um leque de respostas possíveis, que vão de sobretaxas a bens importados até restrições em áreas como propriedade intelectual e serviços. A escolha do instrumento depende do que o comitê considerar proporcional às medidas estrangeiras.
Contramedidas comerciais têm efeito duplo conhecido: pressionam o país-alvo, mas encarecem insumos para a indústria nacional que depende de importados. É por isso que a etapa de consultas com os setores costuma se estender antes de qualquer decisão.
O caminho paralelo é a Organização Mundial do Comércio, onde disputas desse tipo tramitam por anos. O acionamento da lei brasileira não impede recurso ao órgão, e as duas vias podem correr ao mesmo tempo.
Próximos passos
- Base legal: Lei da Reciprocidade Econômica (Lei 15.122/2025)
- Quem conduz: Comitê Executivo de Gestão da Camex
- Etapa atual: abertura do processo de avaliação, em 13 de agosto
- Via diplomática: notificação ao governo americano e pedido de consultas
- Resultado possível: recomendação de contramedidas, se as consultas não avançarem
Não há prazo divulgado para a conclusão da avaliação. Empresas atingidas pelas tarifas podem apresentar informações ao processo pelos canais da Camex.