Economia

Vendas do varejo sobem 0,5% em junho e acumulam alta de 1,9% no ano

Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE mostra avanço no varejo restrito, queda de 1% no varejo ampliado e recuo de 9,9% em livros, jornais e papelaria.

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro cresceu 0,5% em junho na comparação com maio, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada nesta quinta-feira (13) pelo IBGE. No primeiro semestre, o varejo acumula alta de 1,9% sobre o mesmo período do ano passado.

Na comparação com junho de 2025, o avanço foi de 2,9%. Em 12 meses, o indicador acumula crescimento de 1,6%. O resultado do mês veio acima do que o mercado projetava.

Varejo ampliado teve desempenho oposto

O chamado varejo ampliado, que soma às atividades tradicionais a venda de veículos, motos, peças e materiais de construção, recuou 1% de maio para junho. É a diferença entre os dois recortes que explica boa parte da leitura do mês: o consumo de itens do dia a dia sustentou o número positivo, enquanto as compras de maior valor perderam força.

Entre as atividades que subiram no mês:

  • Artigos de uso pessoal e doméstico: alta de 2,4%
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: alta de 1,1%
  • Móveis e eletrodomésticos: alta de 0,4%
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: alta de 0,2%

Entre as que caíram:

  • Livros, jornais, revistas e papelaria: queda de 9,9%
  • Materiais de construção: queda de 3,5%
  • Tecidos, vestuário e calçados: queda de 2,6%
  • Combustíveis e lubrificantes: queda de 1,7%
  • Veículos, motos, partes e peças: queda de 1,5%
  • Equipamentos de escritório, informática e comunicação: queda de 1,3%

O que o resultado diz sobre o consumo

A composição do índice mostra um consumidor que mantém a compra de supermercado e de itens de uso pessoal, mas segura decisões que dependem de crédito ou de parcelamento longo. Veículos e material de construção caíram no mês, e as duas categorias são as mais sensíveis a juros altos e a prazo de financiamento.

A queda de 9,9% em livros, jornais, revistas e papelaria foi a mais acentuada entre as oito atividades pesquisadas. O segmento costuma oscilar com o calendário escolar, com concentração de vendas no início do ano e no meio do segundo semestre.

O peso do comércio no Distrito Federal

O comércio e os serviços respondem pela maior parte dos empregos formais no Distrito Federal, o que faz da PMC um indicador acompanhado de perto pelo setor produtivo local. Shoppings e comércio de rua das regiões administrativas sentem primeiro as variações em vestuário e calçados, categoria que recuou no mês.

A pesquisa do IBGE mede volume, e não faturamento, o que significa que o resultado desconta o efeito da inflação sobre os preços praticados. Os dados de julho serão divulgados no calendário regular do instituto, no mês seguinte ao de referência.

Como ler os dois indicadores

A PMC trabalha com dois recortes, e confundi-los muda a conclusão. O varejo restrito reúne oito atividades ligadas ao consumo corrente das famílias, de supermercado a vestuário. O varejo ampliado acrescenta a esse conjunto a venda de veículos, motos, partes e peças e os materiais de construção, itens de ticket alto e compra planejada.

Em junho, os dois indicadores apontaram para lados diferentes: alta de 0,5% no restrito e queda de 1% no ampliado. É um retrato de consumo que segue firme na cesta do mês e trava na compra grande.

O outro recorte relevante é o de comparação. A alta de 2,9% frente a junho de 2025 mede o desempenho contra o mesmo mês do ano anterior e sofre menos influência de fatores sazonais. Já o número de 0,5% compara com maio, com ajuste sazonal, e é o que dá a leitura do momento.

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