Ibovespa cai pelo 9º pregão seguido e dólar fecha a R$ 5,22
Índice recuou 3,23% na semana e saída de capital estrangeiro soma R$ 13,56 bilhões em agosto
O Ibovespa fechou a sexta-feira (14) em queda de 0,1%, aos 166.934,20 pontos, na nona sessão consecutiva de perdas. No acumulado da semana, o principal índice da B3 recuou 3,23%. O dólar comercial subiu 0,61% e encerrou o dia a R$ 5,2213, na quinta alta seguida e na maior cotação desde 30 de março, segundo levantamento da InfoMoney.
A sequência de nove pregões negativos apaga parte da valorização acumulada nos meses anteriores, quando a bolsa brasileira encadeou recordes nominais de pontuação.
O que está tirando dinheiro da bolsa
O movimento tem um componente que aparece nos números da própria B3: a saída de capital estrangeiro. As retiradas líquidas de investidores de fora somaram R$ 13,56 bilhões em agosto até o dia 12. Quando o estrangeiro vende ação em real e converte o valor para remeter ao exterior, ele pressiona os dois mercados ao mesmo tempo, derrubando o índice e empurrando a moeda americana para cima.
Para Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o tema principal segue sendo "a combinação entre risco fiscal e incerteza eleitoral", que se traduz em "prêmio de risco nos preços dos ativos" e em "saída acelerada de capital estrangeiro". Em relatório, o Bank of America afirmou que o mercado deve acompanhar de perto o resultado das eleições pelos efeitos sobre a política fiscal.
Na cobertura de mercado da semana, feita por InfoMoney e Exame, dois fatores aparecem citados: a expectativa em torno da divulgação de nova pesquisa eleitoral do instituto Genial/Quaest e a redução da recomendação do JPMorgan para o Brasil, de compra para neutra, movimento apontado como acelerador da saída de recursos e da abertura da curva de juros.
Por que isso chega ao bolso do brasiliense
Dólar mais caro não é assunto restrito a quem investe. A moeda americana é a referência de preço de combustíveis, de fertilizantes e de parte dos alimentos, além de insumos industriais e componentes eletrônicos. Quando a cotação sobe e se mantém em patamar novo por semanas, o repasse aparece com atraso nas prateleiras e nas bombas.
Há dois efeitos mais imediatos. O primeiro é sobre viagem internacional e compra em site estrangeiro, em que a conversão é instantânea. O segundo é sobre a curva de juros: quando o mercado embute mais risco no preço dos títulos públicos, a expectativa de queda da Selic se afasta, e o custo do crédito para financiar carro, imóvel e capital de giro demora mais a cair.
Os números da sexta-feira
- Ibovespa: queda de 0,1%, aos 166.934,20 pontos
- Nona sessão consecutiva de perdas
- Semana: recuo de 3,23%
- Dólar comercial: alta de 0,61%, a R$ 5,2213
- Quinta alta seguida da moeda e maior cotação desde 30 de março
- Saída líquida de capital estrangeiro na B3: R$ 13,56 bilhões em agosto, até o dia 12
O que observar na semana
O calendário eleitoral e o noticiário fiscal seguem no centro das decisões de compra e venda, segundo as avaliações citadas pelas corretoras. Não há garantia de reversão: nove pregões de queda indicam um ajuste de posição que ainda não encontrou piso, e o gatilho da virada, nas leituras do mercado, depende menos de dado econômico e mais de definição política.
Para contraste, o outro extremo do mesmo ano: o Ibovespa bateu recorde histórico aos 198.657 pontos em 2026.