Economia

INPC recua 0,01% em julho e fecha 12 meses em 4,10%

Primeira variação negativa do índice desde agosto de 2025 alcança o indicador que baliza acordos coletivos e a correção de benefícios do INSS

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou deflação de 0,01% em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11), em Brasília. É a primeira variação negativa do indicador desde agosto de 2025, quando havia recuado 0,21%.

Em junho, o INPC tinha subido 0,14%. A diferença entre os dois meses é de 0,15 ponto percentual. No acumulado de 2026, o índice soma 3,5%. Em 12 meses, está em 4,10%.

O número tem peso direto na renda de quem vive de salário. O INPC, e não o IPCA, é o índice que serve de referência para boa parte das negociações de reajuste em acordos e convenções coletivas, para a correção anual do salário mínimo e para o reajuste dos benefícios do INSS que ficam acima do piso.

Por que este índice é diferente do IPCA

Os dois indicadores saem da mesma coleta de preços do IBGE, mas medem cestas de consumo distintas. O INPC acompanha famílias com renda de um a cinco salários mínimos e monitora 367 produtos e serviços. O IPCA, índice oficial de inflação do país e referência da meta perseguida pelo Banco Central, cobre famílias com renda de até 40 salários mínimos.

Como a faixa de renda do INPC é mais estreita, alimentos e transporte pesam mais no cálculo. Isso explica por que os dois índices andam próximos, mas raramente iguais. Em julho, enquanto o INPC ficou negativo, o IPCA subiu 0,07% e acumulou 4,44% em 12 meses.

Onde o índice é usado

A aplicação do INPC segue um calendário próprio, com recortes diferentes conforme o benefício:

  • salário mínimo: entra no cálculo o INPC acumulado até novembro;
  • benefícios do INSS acima do piso, teto previdenciário e seguro-desemprego: usam o acumulado até dezembro;
  • acordos e convenções coletivas: cada categoria adota o acumulado dos 12 meses anteriores à data-base da negociação.

A coleta de preços do INPC é feita em 16 localidades, entre elas as regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

O que muda para quem mora no DF

Para o trabalhador do Distrito Federal, o efeito prático aparece em dois momentos. O primeiro é a mesa de negociação: sindicatos com data-base no segundo semestre passam a discutir reajuste com um indicador que perdeu força ao longo de 2026. O segundo é o orçamento doméstico, já que a deflação de julho veio concentrada em alimentos, item que pesa mais na conta de quem ganha menos.

O IBGE divulga o INPC de agosto em setembro, no mesmo dia do IPCA. Até lá, a série de 12 meses segue como principal referência para reajustes contratuais que usam o índice como indexador, caso de parte dos contratos de prestação de serviço e de planos de saúde coletivos por adesão que adotam o INPC em cláusula.

O IBGE define o INPC como a medida da variação de preços da cesta de consumo da população assalariada com os menores rendimentos.

A série histórica completa e as tabelas por localidade estão disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática, o Sidra, e no portal do instituto.

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