Economia

IBGE divulga o IPCA de julho na terça; mercado projeta 5,03% em 2026

Prévia do mês subiu 0,06% e Focus corta a estimativa de inflação pela quinta semana seguida

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga na terça-feira (11) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, o indicador oficial da inflação no Brasil. O número chega em uma semana em que o mercado vinha revisando para baixo a projeção de alta de preços para 2026.

A prévia já dá o tom. O IPCA-15 de julho subiu 0,06%, taxa bem abaixo do que esperavam os analistas ouvidos pela Reuters, que projetavam 0,20% para o mês. No acumulado de 12 meses, o índice antecedente ficou em 4,52%, e no ano, em 3,51%.

O que puxou os preços na prévia

O grupo Habitação foi o de maior variação e maior impacto no IPCA-15 de julho, com alta de 0,97% e contribuição de 0,15 ponto percentual no resultado do mês. Dentro dele, a energia elétrica residencial subiu 3,03% e respondeu pelo principal impacto individual do período.

Do outro lado, Alimentação e bebidas puxou o índice para baixo, com queda de 0,66% e impacto negativo de 0,15 ponto percentual. Os dois movimentos praticamente se anularam, o que explica a variação quase nula do índice.

O IPCA-15 não é o IPCA. Ele usa o mesmo método de cálculo e a mesma cesta de produtos, mas coleta os preços em um período diferente, entre meados de um mês e meados do seguinte. Serve como sinal antecipado, não como resultado.

O que o mercado projeta

No Boletim Focus divulgado em 3 de agosto, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 caiu de 5,12% para 5,03%. Foi a quinta semana seguida de revisão para baixo. Para 2027, a estimativa ficou em 4,22%, e para 2028, em 3,80%.

O levantamento também trouxe corte na expectativa de juros. A projeção para a Selic no fim de 2026 recuou de 14% para 13,75% ao ano. Para 2027, o mercado manteve 12%, e para 2028, 10,50%.

Alguns pontos ajudam a ler o número que sai na terça:

  • Em junho, o IPCA cheio subiu 0,16%, a menor taxa em oito meses.
  • A prévia de julho veio abaixo do consenso, o que reduz a chance de surpresa para cima.
  • A conta de luz segue como o item de maior peso no curto prazo, sensível à bandeira tarifária.
  • A queda dos alimentos é o principal fator de alívio no bolso desde o segundo trimestre.

Por que o índice importa em Brasília

O IPCA é o índice usado pelo Banco Central para verificar o cumprimento da meta de inflação, o que o torna a principal referência das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. Juros mais altos encarecem crédito, financiamento imobiliário e capital de giro.

O indicador também serve de base para reajuste de contratos, correção de mensalidade escolar, atualização de aluguel em contratos indexados ao índice oficial e para o cálculo do reajuste de benefícios previdenciários acima do salário mínimo. No Distrito Federal, onde a renda média é puxada pelo funcionalismo, a inflação de serviços costuma pesar mais na cesta do que a média nacional.

A divulgação do IPCA de julho está prevista para a manhã de terça-feira, no site do IBGE, com os dados abertos por grupo de despesa e por região metropolitana, incluindo Brasília. Na mesma terça, o Banco Central publica a ata da reunião de agosto do Copom.

Leia também: IPCA de junho sobe 0,16%, menor taxa em oito meses.

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