Economia

IPCA de agosto fecha em -0,32%, a maior deflacao em quatro anos

Bonus de Itaipu derrubou a conta de luz e puxou o indice; cinco grupos subiram no mes

O IPCA de agosto fechou em -0,32%, a maior deflação mensal em quatro anos, informou o IBGE na sexta-feira (11). O resultado veio abaixo do que o mercado projetava e sucede a alta de 0,07% registrada em julho.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,22%, ante 4,44% nos 12 meses imediatamente anteriores. No ano, o índice soma 3,11%.

A conta de luz explica quase toda a queda

O grupo habitação recuou 1,87% e sozinho tirou 0,29 ponto percentual do índice, praticamente todo o resultado negativo do mês. Foi a deflação mais profunda para um mês de agosto desde o início do Plano Real, em 1994.

O motor foi o Bônus de Itaipu, que reduziu as contas de energia elétrica em 7,63% na média. O repasse tem caráter pontual: entra no índice no mês em que aparece na fatura e sai no mês seguinte, o que torna improvável a repetição do efeito em setembro.

Os demais grupos com queda:

  • Transportes: -0,86% (impacto de -0,17 p.p.)
  • Alimentação e bebidas: -0,34% (-0,07 p.p.)
  • Comunicação: -0,09%

Cinco grupos subiram no mês

A deflação não foi generalizada. Despesas pessoais avançaram 1,30%, artigos de residência 0,64%, educação 0,47%, saúde e cuidados pessoais 0,23% e vestuário 0,12%.

O índice de difusão confirma a leitura. Segundo o IBGE, 54% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preço em agosto. Ou seja: mais da metade da cesta subiu, e o sinal negativo do índice veio da intensidade da queda em energia e combustíveis, não da amplitude.

Essa distinção importa para quem lê o resultado como alívio no orçamento. Quem mora em imóvel alugado, paga mensalidade escolar ou concentra gasto em serviços viu conta maior em agosto, mesmo com o índice cheio negativo.

O que isso diz sobre a trajetória

Os 4,22% em 12 meses seguem acima do centro da meta de inflação, mas é a menor leitura desde março de 2026, quando o acumulado marcou 4,14%. A desaceleração aparece de forma consistente desde o meio do ano.

O ponto de atenção é a composição. Uma queda sustentada por um bônus tarifário não tem a mesma leitura de política monetária que uma queda puxada por serviços, que responde mais lentamente e indica arrefecimento de demanda. Com despesas pessoais em alta de 1,30%, o núcleo de serviços continua pressionado.

Para o consumidor do DF, o efeito prático da deflação de agosto já foi sentido na fatura de energia. Em abril, o IPCA acumulado em 12 meses no DF estava em 3,7%, abaixo da média nacional.

Próximos passos

O IBGE divulga o IPCA-15 de setembro no fim do mês, primeira prévia sem o efeito do Bônus de Itaipu na base. É esse número que vai indicar se a desaceleração de agosto tem continuidade ou se foi um ponto fora da curva produzido por um repasse tarifário de mês único.

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