Economia

PF mira grupo que vendia cartão consignado com dívida sem fim

Operação Fugazi cumpre 13 mandados em SP e RS contra esquema que lesava servidores e aposentados; veja como conferir descontos no contracheque e no benefício

A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira (15) a Operação Fugazi, contra um grupo econômico suspeito de usar o cartão de crédito consignado para fraudar servidores públicos, aposentados e pensionistas em vários estados do país.

Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio Grande do Sul, por ordem da Justiça Federal de Mato Grosso, que também determinou o sequestro de bens móveis e imóveis e o bloqueio de valores e ativos financeiros dos investigados.

Cartão que funcionava como empréstimo impagável

Segundo a investigação, o produto vendido como cartão de crédito consignado escondia outra operação, bem mais cara para o cliente.

"Empresas integrantes do grupo apresentavam aos consumidores operações financeiras como cartão de crédito consignado que, na prática, funcionariam como empréstimos consignados, com juros elevados", informou a Polícia Federal.

Na modalidade sob suspeita, o desconto mensal em folha cobre apenas o valor mínimo da fatura, enquanto os juros continuam correndo sobre o saldo restante. O resultado é uma dívida que se arrasta por anos sem perspectiva de quitação, mesmo com desconto automático no contracheque ou no benefício.

A PF investiga possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e indícios de lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados no avanço das apurações.

Por que o alerta interessa a Brasília

O Distrito Federal reúne o perfil exato das vítimas desse tipo de esquema: é a unidade da federação com maior concentração de servidores públicos, além de uma grande população de aposentados e pensionistas com margem consignável ativa.

Golpes contra a folha de pagamento não são novidade na capital. A Polícia Civil já desmontou um esquema de R$ 81 milhões em consignados fraudulentos na folha do GDF, e as regras do crédito consignado do INSS passaram por mudanças recentes, como o novo limite de 40% da margem, que alterou o espaço disponível para descontos.

Como conferir se há desconto indevido

Quem tem cartão consignado ou suspeita de cobrança estranha pode checar a situação pelos canais oficiais:

  • aposentados e pensionistas do INSS: consultar o extrato de empréstimos no aplicativo ou site Meu INSS;
  • servidores: conferir no contracheque a rubrica dos descontos e o nome da instituição que recebe;
  • qualquer cidadão: consultar o Registrato, sistema gratuito do Banco Central que lista todos os empréstimos e financiamentos em seu CPF;
  • em caso de desconto não reconhecido: registrar reclamação na instituição, no Banco Central e no Procon, e guardar os comprovantes.

Especialistas em defesa do consumidor recomendam atenção redobrada a ofertas por telefone que prometem "cartão sem anuidade" ou "crédito liberado na hora" com desconto em folha. Antes de assinar, vale exigir o custo efetivo total da operação e comparar com o teto de juros da modalidade.

A Operação Fugazi segue em andamento, e os investigados poderão responder na Justiça Federal. Novas fases não estão descartadas, já que o material apreendido em São Paulo e no Rio Grande do Sul ainda será analisado pela PF.

4 visualizações