Crédito do Move Brasil para carro de aplicativo sobe a R$ 200 mil
Portaria conjunta de MDIC e Fazenda eleva o teto de R$ 150 mil e amplia a lista de veículos híbridos elegíveis
O teto de financiamento do Programa Move Brasil, Táxi e Aplicativos subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil, ampliando os modelos que motoristas de aplicativo e taxistas cadastrados podem comprar com o crédito subsidiado. A mudança foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União na quinta-feira (20).
A alteração veio em portaria conjunta dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Fazenda. O valor considerado é o registrado na nota fiscal do veículo novo.
O que muda para o motorista
Com o teto mais alto, o governo estima que o critério econômico do programa passe a alcançar cerca de 88% do mercado brasileiro de veículos. Antes, a faixa cobria aproximadamente 63%. A estimativa usa dados de emplacamentos de 2025 da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, a Fenabrave.
Na prática, entram na lista modelos de categorias superiores de conforto, que ficavam fora do limite anterior.
- Teto do veículo: de R$ 150 mil para R$ 200 mil, pelo valor da nota fiscal
- Cobertura estimada do mercado: de cerca de 63% para cerca de 88%
- Público: motoristas de aplicativo e taxistas cadastrados no programa
- Volume previsto do Move Brasil: até R$ 30 bilhões em crédito
Mais híbridos na lista
A portaria também ampliou os veículos híbridos elegíveis. Passam a ser contemplados modelos que combinam motor elétrico com motor a combustão movido a álcool, a gasolina e a híbrido de álcool e gasolina.
Os critérios de sustentabilidade e eficiência energética do programa foram mantidos. Dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular de 2026 indicam que veículos híbridos podem apresentar redução média próxima de 24% no consumo energético em relação às versões convencionais equivalentes.
Adesão abaixo do esperado
Em vigor desde 27 de julho, o Move Brasil prevê até R$ 30 bilhões em crédito para a compra de veículos novos. A ampliação chega no momento em que o governo tenta aumentar a participação dos bancos privados nas operações.
Na noite de quarta-feira (19), depois de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a equipe econômica estuda mudanças no programa. Segundo ele, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal têm demonstrado maior disposição para conceder os financiamentos.
"O que a gente tem visto é uma participação maior dos bancos públicos, do Banco do Brasil e da Caixa, com menos apetite por parte dos bancos privados. Nós estamos sempre em contato para entender por que, mesmo com a garantia do governo, não tem tido a adesão que a gente inicialmente esperava", afirmou Durigan.
O ministro disse que a adesão está abaixo da expectativa inicial, embora o volume de operações já seja considerado relevante pelo governo.
Por que interessa a quem roda no DF
O Distrito Federal tem uma das maiores frotas de aplicativo por habitante do país, concentrada nas viagens entre as regiões administrativas e o Plano Piloto. Para o motorista que roda no DF, o teto mais alto muda a conta de duas formas.
A primeira é a possibilidade de financiar carros com maior autonomia e menor custo por quilômetro, caso dos híbridos, relevante em uma cidade de distâncias longas. A segunda é o acesso a modelos que a plataforma classifica em categorias de tarifa mais alta, o que altera a receita por corrida.
O contraponto é o valor da parcela. Um financiamento maior significa prestação maior, e o motorista precisa avaliar se o ganho adicional por viagem cobre a diferença antes de trocar de faixa de veículo.
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