Economia

Projeto exige assinatura presencial em consignado para maior de 60 anos

PL 2995/26 proíbe contratação só por robô de atendimento e cobra biometria ou assinatura em agência; texto está na Comissão de Defesa do Consumidor

Neste texto3 tópicos
  1. O que o texto exige
  2. Em que fase está
  3. O contexto do consignado do INSS

Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados proíbe que pessoas com 60 anos ou mais contratem empréstimo consignado exclusivamente por robôs de atendimento e passa a exigir assinatura física presencial ou validação biométrica para fechar o contrato. O texto é o PL 2995/26, do deputado José Medeiros (PL-MT), apresentado em 10 de junho e distribuído às comissões em agosto.

A proposta mira o ponto em que a maior parte das fraudes contra aposentados se concentra: a contratação feita a distância, por telefone ou por atendimento automatizado, sem que o titular do benefício tenha assinado nada presencialmente. Pela regra atual, o consignado pode ser fechado por canais digitais.

O que o texto exige

Segundo o projeto, a contratação por quem tem 60 anos ou mais dependerá obrigatoriamente de assinatura física presencial ou de validação biométrica realizada em agências bancárias ou em correspondentes credenciados. A ementa registrada na Câmara descreve o objetivo como a proteção do consumidor idoso nas operações de crédito consignado e nas demais modalidades de empréstimo oferecidas por instituições financeiras, vedando a contratação automatizada por sistemas de inteligência artificial.

"Dispõe sobre a proteção dos consumidores idosos nas operações de crédito consignado e demais modalidades de empréstimo realizadas por instituições financeiras, vedando a contratação automatizada por sistemas de inteligência artificial e exigindo validação presencial para pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos." (ementa do PL 2995/26, registrada nos dados abertos da Câmara)

O texto não traz exceções para as duas exigências. A Agência Câmara, que divulgou a proposta nesta quinta-feira (17), não informa prazo de adaptação para os bancos nem a quem caberia fiscalizar o cumprimento da regra.

Em que fase está

O projeto não foi votado. Os dados abertos da Câmara mostram esta sequência:

  • 10 de junho de 2026: apresentação do PL 2995/26;
  • 17 de agosto: distribuição às comissões de Defesa do Consumidor, de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania;
  • 19 de agosto: recebimento pela Comissão de Defesa do Consumidor;
  • 26 de agosto: designação do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) como relator na comissão;
  • 28 de agosto: abertura do prazo para emendas.

A proposta tramita em caráter conclusivo, o que significa que pode ser aprovada pelas comissões sem passar pelo plenário, salvo se houver recurso. Para virar lei, ainda precisa da aprovação da Câmara e do Senado.

O relator não havia apresentado parecer até a publicação desta reportagem. Nem o autor nem o relator divulgaram manifestação sobre o calendário de votação.

O contexto do consignado do INSS

A discussão sobre validação presencial ganhou força depois da sucessão de mudanças nas regras do crédito consignado para aposentados e pensionistas. Em agosto, o INSS liberou a contratação sem biometria facial em determinadas situações, por meio de instrução normativa, movimento que caminha na direção oposta à do projeto agora em análise.

Para o beneficiário, a diferença prática é direta. Se o texto for aprovado como está, quem tem 60 anos ou mais precisará comparecer a uma agência ou a um correspondente credenciado, ou passar por biometria, para assinar o contrato. Enquanto isso não ocorre, as regras em vigor continuam permitindo a contratação por canais remotos.

Leia também: INSS libera consignado sem biometria facial para aposentados

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