Mínimo de R$ 1.741 em 2027 deve elevar gasto federal em R$ 54,6 bi
Estudo da Rio Bravo calcula o efeito do reajuste sobre INSS e BPC; o governo projeta impacto menor, de R$ 49,6 bilhões
O salário mínimo projetado para 2027 no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso é de R$ 1.741. O valor representa alta de R$ 120 sobre os R$ 1.621 em vigor neste ano, reajuste nominal de 7,4% e ganho real de 2,4% acima da inflação estimada.
O efeito da conta sobre o Orçamento, porém, depende de quem calcula. O governo estima que o reajuste some R$ 49,6 bilhões em despesa primária adicional. Um estudo do economista José Alfaix, da Rio Bravo Investimentos, divulgado na sexta-feira (19) pelo Poder360, chega a um número maior: ao menos R$ 54,6 bilhões, considerando apenas os benefícios atrelados ao piso.
De onde vem a diferença
O cálculo da Rio Bravo olha para dois programas. Pela conta do estudo, o gasto somado do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) passaria de R$ 738,3 bilhões para R$ 792,9 bilhões. Desse acréscimo, R$ 44,2 bilhões recairiam sobre a Previdência e R$ 10,4 bilhões sobre a assistência social paga pelo BPC.
O salário mínimo funciona como indexador de uma fatia grande da despesa obrigatória. Aposentadorias e pensões do INSS no piso, o BPC pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, o abono salarial e o seguro-desemprego sobem junto quando o mínimo sobe. Por isso cada real a mais no piso se multiplica no Orçamento.
O número ainda pode mudar
Os R$ 1.741 são uma projeção, não o valor definitivo. A regra de reajuste em vigor combina dois indicadores: a inflação medida pelo INPC acumulado em 12 meses até novembro do ano anterior e o crescimento do PIB de dois anos antes, com teto de correção real.
O índice que fecha a conta só é divulgado pelo IBGE em dezembro. Até lá, o valor no Orçamento é uma estimativa de trabalho para o Congresso calcular receita e despesa. Em abril, a proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias trazia um número menor, de R$ 1.717.
O Orçamento em que a conta entra
O PLOA 2027 foi enviado ao Congresso em 31 de agosto e prevê um orçamento total de R$ 7,5 trilhões, com R$ 2.576,5 bilhões em despesas primárias. A proposta trabalha com inflação de 3,6% e crescimento do PIB de 2,46% no ano, e fixa meta de superávit primário de R$ 18,6 bilhões antes das deduções legais, que sobe para R$ 83,4 bilhões quando as deduções permitidas entram na conta. A despesa com pessoal foi estimada em R$ 369 bilhões, com crescimento limitado a 3,2%, segundo a Agência Câmara.
O que acontece agora
O PLOA 2027 segue para análise da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, onde recebe emendas antes de ir ao plenário do Congresso. A votação costuma ocorrer no fim do ano, e o valor do mínimo é atualizado no texto final quando o IBGE fecha o INPC de novembro.
Para quem recebe, o efeito prático aparece no pagamento de janeiro de 2027, quando o novo piso passa a valer para salários, benefícios do INSS e BPC.
Leia também: Governo propõe salário mínimo de R$ 1.717 em 2027 no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias.