Economia

Ao menos 43 empresas deixaram o Brasil em 11 anos, diz levantamento

Contagem do Poder360 reúne companhias que encerraram produção, fecharam fábricas ou venderam a operação no país desde maio de 2015

Pelo menos 43 empresas encerraram a produção, fecharam fábricas ou venderam os negócios que mantinham no Brasil entre maio de 2015 e setembro de 2026. A contagem é de levantamento do Poder360 assinado por Leo Garfinkel e publicado na sexta-feira (19).

O número é declarado como piso, não como total. O próprio levantamento usa a expressão "ao menos", o que indica base incompleta: só entram na lista os casos com saída anunciada publicamente no período de pouco mais de 11 anos.

De onde vêm as empresas e o que elas faziam

A maior parte das companhias é dos Estados Unidos, com 16 casos. Em seguida aparecem Reino Unido (6), Japão (4), Alemanha (3) e França (3). Espanha, Colômbia e Suíça têm duas cada. China, Holanda, Índia, Israel e México aparecem com uma cada.

Os setores atingidos são variados: automobilístico, alimentação, eletrônicos, varejo de beleza, moda, medicamentos, cimento, louças e metais.

Entre os nomes que o levantamento cita estão Ford, Mercedes-Benz e Sony, no encerramento de produção; Walmart, Forever 21, Lush, Glovo e Eventbrite, no fechamento ou saída da operação; e Holcim, Kirin, AES e General Mills, que venderam os ativos brasileiros. A Holcim foi comprada pela CSN, a Kirin pela Heineken, a AES pela Auren e a General Mills pelo grupo 3Corações. A marca Häagen-Dazs também aparece na lista.

As causas que o levantamento aponta

Os motivos se repetem e quase nunca vêm sozinhos:

  • reestruturações globais e revisão de portfólio das matrizes;
  • carga tributária elevada e custo de importação de insumos;
  • efeitos da pandemia de covid-19, presente em 17 dos casos;
  • concorrência local mais forte que o esperado;
  • ambiente regulatório instável;
  • câmbio desfavorável e baixa produtividade da economia.

Ouvido pelo levantamento, o economista Samuel Pessôa, do BTG Pactual e da FGV, atribui parte do movimento a fatores macroeconômicos que independem do setor de cada empresa.

O que o dado mostra e o que ele não mostra

A lista contabiliza saídas, não o saldo. Ela não inclui as empresas estrangeiras que abriram ou ampliaram operação no Brasil no mesmo período, nem mede o efeito líquido sobre emprego e investimento. Vender a operação local também não equivale a fechar a fábrica: nos casos de Holcim, Kirin, AES e General Mills, a atividade seguiu sob controle de outro grupo.

Para leitura de tendência, o número serve como indicador de atratividade do país para capital estrangeiro ao longo de mais de uma década, e não como retrato de um ano específico.

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