IBGE adota projeção Equal Earth e libera novos mapas-múndi
Instituto passou a usar a projeção aprovada pela ONU em 4 de setembro; arquivos estão na loja virtual
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a adotar a projeção Equal Earth em seus mapas-múndi e liberou o acervo para download no dia 7 de setembro, dois dias depois de a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar a mudança na representação oficial do planeta. A decisão altera o desenho do mundo que estudantes brasileiros veem na parede da sala de aula.
A votação na ONU ocorreu em 4 de setembro e teve 164 países a favor, um contra e seis abstenções. O voto contrário foi dos Estados Unidos. A proposta partiu da União Africana, que sustenta que o mapa tradicional encolhe o continente diante da Europa e da América do Norte e, segundo o argumento apresentado, "molda a percepção do mundo e o imaginário coletivo dos povos".
O que muda em relação a Mercator
O mapa que a maioria das pessoas conhece nasceu em 1569, com o cartógrafo flamengo Gerard Mercator, e foi desenhado para a navegação: ele preserva os ângulos, o que permitia traçar uma rota de rumo constante com uma régua. O preço dessa vantagem é a área. Quanto mais longe do Equador, mais a superfície é esticada, e regiões como Groenlândia, Canadá e norte da Europa aparecem maiores do que são.
A Equal Earth, criada em 2018, pertence à família das projeções equivalentes: ela mantém a proporção de área entre os continentes. África, América do Sul e Ásia ganham o tamanho relativo que têm de fato, e o planisfério assume um contorno oval, com meridianos curvos nas bordas.
A troca não corrige tudo. Nenhuma projeção plana consegue preservar ao mesmo tempo área, forma, distância e ângulo, porque a Terra é um corpo curvo. O que a Equal Earth faz é escolher a área como prioridade e aceitar alguma distorção de forma nas extremidades.
Onde baixar os mapas do IBGE
Os arquivos ficam na loja virtual do instituto, em loja.ibge.gov.br, com os mapas-múndi lançados entre 2024 e 2026. O material é usado por escolas, universidades e órgãos públicos.
Maria do Carmo Bueno, diretora de Geociências do IBGE, afirmou que "a adoção da projeção Equal Earth pela ONU reforça a posição da Diretoria de Geociências do IBGE de acompanhar de forma contínua as inovações cartográficas". O instituto já vinha usando projeções equivalentes em parte de sua produção, o que reduz o impacto técnico da mudança no acervo brasileiro.
Para o Brasil, o efeito prático é de escala relativa: o país tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados e, na representação de Mercator, aparece menor do que áreas do hemisfério norte que na realidade são bem mais estreitas. No novo desenho, a comparação visual entre o território brasileiro e os países do norte fica mais próxima dos números.
Um mapa é uma escolha, não um retrato
A discussão cartográfica é antiga e voltou ao noticiário porque saiu do meio acadêmico e entrou numa votação diplomática. O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, tratou a decisão como "verdade científica" e disse que ela reforça "a equidade de representação e a dignidade dos povos".
Na prática, o que a ONU fez foi padronizar o mapa que vai ilustrar seus próprios documentos e materiais. Não existe obrigação de que editoras, escolas ou governos troquem seus acervos, e as duas projeções seguem em uso, cada uma para a finalidade em que funciona melhor: Mercator continua adequada para navegação e para mapas de rua digitais, e as projeções equivalentes servem melhor quando o assunto é comparar territórios.
Quem for atualizar o material didático encontra no IBGE a versão oficial brasileira, com nomes de países e capitais em português.