Leitura entre adolescentes cai ao pior nível do século, diz OCDE
Pisa 2025 ouviu 760 mil jovens de 15 anos em 91 países; média em leitura caiu de 501 para 466 pontos
A leitura entre adolescentes de 15 anos caiu ao pior nível deste século, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, divulgado nesta semana pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A média dos países avaliados ficou em 466 pontos, contra 501 em 2012, quando o indicador atingiu o teto histórico.
A edição ouviu 760 mil estudantes em 91 países e sistemas educacionais. No Brasil, participaram 30.140 alunos, e a aplicação foi coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O que os pesquisadores apontam como causa
A OCDE associa a queda a dois movimentos que caminharam juntos: o aumento do tempo de tela e a redução da leitura por prazer. Os estudantes relataram passar, em média, 3,4 horas por dia em dispositivos digitais para lazer, além de cerca de 3 horas em atividades de aprendizagem digital.
"O aumento do tempo gasto diante de telas e a diminuição da leitura por prazer têm andado de mãos dadas com resultados mais fracos", afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.
O relatório também registra mudança na forma de ler. Em vez de acompanhar um texto longo do começo ao fim, parte dos jovens passa os olhos pelo material às pressas, comportamento associado a piores resultados na compreensão. A distração digital em sala apareceu ligada a notas mais baixas em 59 dos 82 sistemas educacionais analisados.
Outro dado chamou a atenção dos avaliadores: o uso frequente de chatbots de inteligência artificial para fazer tarefas escolares apareceu associado a uma queda de cerca de 20 pontos em ciências.
Como o Brasil ficou
O país segue abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas. Em leitura, o Brasil marcou 408 pontos, contra 466 da média dos países da organização. Em matemática, 377 contra 469. Em ciências, 409 contra 486.
A distância diminuiu, mas por um motivo que não é motivo de comemoração isolada: parte da aproximação vem da queda dos países ricos, não apenas de avanço brasileiro. O Ministério da Educação atribuiu parte do resultado à Lei 15.100/2025, que estabeleceu regras para o uso de celular na educação básica.
O que isso significa para a sala de aula
Leitura é a competência que sustenta as demais: um estudante que não compreende um enunciado longo perde também em matemática e em ciências, porque não chega ao problema. É por isso que a OCDE trata o indicador de leitura como termômetro geral do sistema.
No Distrito Federal, a rede pública tem discutido o tema por dois caminhos. Um é a restrição ao celular em sala, prevista na lei federal. Outro é o uso pedagógico das bibliotecas escolares e dos projetos de leitura, que dependem de acervo e de professor disponível para mediar.
- Média da OCDE em leitura: 466 pontos em 2025, contra 501 em 2012
- Brasil em leitura: 408 pontos
- Participantes: 760 mil estudantes de 15 anos, em 91 países
- Tempo de tela para lazer: 3,4 horas por dia, em média
- Distração digital: ligada a notas piores em 59 de 82 sistemas
O Pisa é aplicado a cada três anos desde 2000 e avalia estudantes de 15 anos, idade em que a maioria está terminando a etapa obrigatória do ensino. A próxima edição está prevista para 2028.