PM da reserva suspeito da chacina de Formosa se entrega à polícia em Goiás
Matusalém Silvério da Silva se apresentou em delegacia de São Luís de Montes Belos nesta sexta; filho dele e um terceiro suspeito seguem procurados
O policial militar da reserva Matusalém Silvério da Silva, apontado como o autor dos disparos que mataram quatro homens em Formosa, no Entorno do Distrito Federal, se entregou à polícia nesta sexta-feira, 14 de agosto. Ele se apresentou em uma delegacia de São Luís de Montes Belos, no interior de Goiás, a cerca de 400 quilômetros de onde ocorreu o crime.
O caso aconteceu no dia 11 de agosto e, segundo a apuração da Polícia Civil de Goiás divulgada pela imprensa, teria como motivação a cobrança de uma dívida de R$ 250 mil. As vítimas foram identificadas como Gustavo Aurélio, Luiz Antônio Rodrigues, André Ferreira e Gustavo Fernandes Graças.
O que diz o suspeito
De acordo com informações divulgadas pelo Correio Braziliense e pelo Metrópoles, o policial da reserva afirma ter agido em legítima defesa. A versão apresentada por ele é a de que reagiu depois que o filho passou a ser perseguido por integrantes de um grupo vindo de São Paulo. Ao se apresentar, ele também entregou armas às autoridades.
A tese de legítima defesa ainda será submetida à análise da Polícia Civil e do Ministério Público de Goiás. Nenhum dos envolvidos foi julgado até agora, e a apuração segue em curso.
No Código Penal, a legítima defesa exige que a reação seja imediata a uma agressão injusta e que o meio empregado seja proporcional. A avaliação desses elementos cabe ao inquérito e, depois, ao Judiciário. Em casos com quatro mortes, a prática usual é que a investigação reconstitua a sequência de disparos e a posição de cada envolvido antes de o Ministério Público decidir pelo oferecimento de denúncia.
Reportagem do Correio Braziliense publicada nesta semana reconstituiu a cronologia do episódio e apontou que a ação que resultou nas quatro mortes durou poucos segundos. A defesa do policial não havia se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem.
Dois suspeitos continuam foragidos
A Polícia Civil de Goiás procura outros dois investigados: o filho do policial e um terceiro suspeito. Ambos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Antes da entrega desta sexta-feira, suspeitos chegaram a se apresentar espontaneamente e foram liberados, o que fez o caso ganhar novo desdobramento quando as preventivas foram expedidas.
Por que o caso interessa a Brasília
Formosa fica a cerca de 80 quilômetros do Plano Piloto e integra a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, a Ride-DF. O município tem fluxo diário de moradores que trabalham ou estudam na capital, e a segurança pública da região é tratada de forma articulada entre o governo de Goiás, o GDF e o governo federal.
Crimes de grande repercussão no Entorno costumam envolver mais de uma jurisdição, o que na prática significa investigação conduzida pela Polícia Civil goiana, com apoio eventual de forças do DF quando há indício de deslocamento de suspeitos para a capital.
- Data do crime: 11 de agosto de 2026
- Local: Formosa, Goiás, no Entorno do DF
- Vítimas: quatro homens
- Motivação apontada na investigação: cobrança de dívida de R$ 250 mil
- Situação: um suspeito preso, dois com prisão preventiva em aberto
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