Chacina em Formosa mata quatro homens no Entorno do DF
Ex-secretário municipal de São João da Aliança está entre as vítimas; PM da reserva é investigado
Quatro homens foram mortos a tiros na tarde desta terça-feira (11/8), no Setor Parque Lago, em Formosa (GO), cidade do Entorno do Distrito Federal a cerca de 80 quilômetros de Brasília. As vítimas estavam em uma caminhonete e na via pública quando foram atingidas pelos disparos.
Uma delas foi identificada como Gustavo Fernandes Graças, de 30 anos, ex-secretário municipal da prefeitura de São João da Aliança (GO). Ele chefiou a Secretaria de Agricultura e Transportes entre 2017 e 2019 e a Secretaria de Transportes entre 2020 e 2024. Os nomes dos outros três mortos não haviam sido divulgados pela polícia até a publicação desta reportagem.
O que a polícia investiga
A Polícia Civil de Goiás informou que o caso está com o Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Formosa. Foi instaurado inquérito e os trabalhos periciais foram solicitados para reunir elementos sobre as circunstâncias das mortes.
A principal linha de apuração é a de que o episódio esteja relacionado a um possível acerto de contas. O jornal goiano O Hoje registrou que as mortes teriam ocorrido após uma suposta cobrança de dívida, versão que ainda não foi confirmada oficialmente pela polícia. Três homens são apontados como possíveis envolvidos: um policial militar da reserva, o filho dele e um terceiro homem, morador de Planaltina de Goiás. Nenhum deles havia sido preso até a última atualização das autoridades.
Os três são tratados como suspeitos, condição que se mantém até que a investigação conclua e o Ministério Público decida sobre a denúncia. O trabalho pericial no local e nos veículos é o que deve sustentar a reconstrução da dinâmica dos disparos.
Por que o caso interessa a quem mora no DF
Formosa integra a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF), o arranjo que reúne o DF e municípios de Goiás e Minas Gerais. A cidade está entre os polos do Entorno com fluxo diário de moradores que trabalham, estudam ou buscam atendimento em Brasília.
Nesse arranjo, crimes ocorridos do lado goiano são apurados pelas polícias de Goiás, e não pelas forças do DF. Quando a investigação aponta deslocamento de suspeitos entre as duas unidades da federação, o caminho é a cooperação entre as corporações, com pedidos formais de diligência.
Casos de execução com múltiplas vítimas em cidades do Entorno costumam mobilizar equipes especializadas justamente pela dificuldade de reunir prova em área de fronteira administrativa, onde autores e testemunhas se dispersam com facilidade entre estados.
São João da Aliança, município onde a vítima identificada ocupou dois cargos de secretário, fica no nordeste goiano, fora da Ride. Formosa, por sua vez, é uma das cidades goianas que fazem divisa direta com o Distrito Federal e concentra parte do movimento pendular da região.
O Grupo de Investigação de Homicídios é a estrutura da Polícia Civil de Goiás que centraliza esse tipo de apuração nas comarcas do interior. O inquérito instaurado é a peça que reúne perícia, oitivas e material apreendido antes de o caso seguir para o Ministério Público.
Em Goiás, informações sobre crimes podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia 181. No Distrito Federal, o canal equivalente é o 197, da Polícia Civil.
Leia também: Passagens de ônibus do Entorno sobem até R$ 12,05 com reajuste de 2,91% da ANTT.