Conselho do Flamengo aprova reforma que profissionaliza a gestão
Texto passou com 643 votos a favor, 47 contra e 6 abstenções e cria diretoria com executivos remunerados; clube segue como associação civil
O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou na noite desta terça-feira, 15 de setembro, a reforma do estatuto que torna permanente o modelo de gestão profissional adotado pela atual diretoria. O texto passou com 643 votos a favor, 47 contra e 6 abstenções.
Segundo o clube, a proposta teve o apoio de 92% dos 696 conselheiros que votaram. O texto substitutivo foi elaborado pela Comissão Permanente de Estatuto a partir da proposta apresentada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e passou a integrar o estatuto imediatamente após a aprovação.
A mudança encerra uma discussão que se arrastava desde junho dentro do clube e organiza em regra o que até agora dependia da vontade de cada gestão eleita.
O que muda na estrutura do clube
O eixo da reforma é a separação entre quem decide, quem fiscaliza e quem executa. Na prática, o Flamengo passa a ter uma diretoria formada por executivos remunerados, escolhidos por critérios técnicos, enquanto os órgãos de governança ficam com a definição estratégica, a fiscalização e a aprovação das decisões estruturantes.
"A reforma estabelece uma separação mais clara entre governança, supervisão e execução", informou o clube no comunicado oficial sobre a votação.
Entre os pontos do texto aprovado estão:
- criação de uma diretoria profissional com executivos contratados e remunerados, selecionados por critérios técnicos;
- instituição de um conselho de gestão encarregado de acompanhar o desempenho da diretoria;
- criação dos cargos de diretor-geral e de diretor de futebol;
- manutenção do Flamengo como associação civil, sem transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF);
- vigência imediata das regras, sem período de transição previsto no texto.
A permanência do modelo associativo foi um dos pontos mais observados da votação. Enquanto Cruzeiro, Botafogo, Vasco e Bahia migraram para o formato de SAF nos últimos anos, com entrada de investidor e venda de participação, o Flamengo optou por profissionalizar a gestão mantendo o controle com o quadro social.
Por que a votação virou disputa interna
A proposta chegou ao conselho em junho e recebeu 98 sugestões de alteração, reunidas em 15 blocos de emendas analisados pela Comissão Permanente de Estatuto. Parte dos conselheiros resistia à transferência de atribuições da diretoria eleita para executivos contratados, sob o argumento de que o modelo reduz o peso do voto do sócio na condução do dia a dia.
O placar final indica que a resistência ficou restrita a um grupo pequeno: os 47 votos contrários representam 6,75% dos presentes, e as 6 abstenções, 0,86%.
A profissionalização da estrutura administrativa era apresentada pela diretoria como forma de dar continuidade à gestão sem depender do calendário eleitoral do clube, que troca de presidência a cada dois anos.
O que vem agora
Com o estatuto alterado, o próximo passo é a nomeação dos executivos que vão ocupar os cargos criados. As indicações passam pelos órgãos de governança definidos no novo texto, e não há prazo fixado para que a diretoria profissional esteja completa.
Em Brasília, o Flamengo é presença recorrente na Arena BRB Mané Garrincha, onde jogou em julho o amistoso contra o Olimpia que alterou o trânsito da região central. Em campo, o time venceu o Independiente del Valle por 2 a 0 em Quito, em 10 de setembro, pela ida das quartas da Libertadores.