Sérvia e Suécia retiram apoio à reeleição de Infantino na Fifa
Federações seguem o País de Gales e ampliam a crise aberta pelo plano de vender participação em uma nova empresa de competições, abandonado na sexta-feira
As federações de futebol de Sérvia, Suécia e País de Gales retiraram o apoio à candidatura de Gianni Infantino à reeleição na presidência da Fifa nesta segunda-feira (3), em decisões anunciadas separadamente pelas três entidades. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.
Infantino disputa um novo mandato à frente da entidade, referente ao período de 2027 a 2031. A votação ocorre no Congresso da Fifa, marcado para março de 2027, no Marrocos.
A retirada de apoio ocorre depois do fracasso de um plano financeiro que a Fifa abandonou na sexta-feira (31). A proposta previa levantar até US$ 4,2 bilhões, o equivalente a R$ 24,8 bilhões, junto a investidores privados por meio da venda de uma participação de cerca de 20% em uma nova entidade responsável pela organização de competições, incluindo a Copa do Mundo.
O que dizem as federações
A Federação de Futebol do País de Gales foi a primeira a formalizar a posição. Em comunicado, a entidade afirmou:
A Federação de Futebol do País de Gales confirma, por meio deste, a retirada de seu apoio à candidatura do sr. Gianni Infantino à reeleição como presidente da Fifa para o mandato de 2027 a 2031.
No mesmo documento, a federação galesa listou os motivos da decisão: "as recentes falhas em boa governança, processos, liderança, valores, gestão das partes interessadas, comunicação e bom senso nos levaram a uma situação em que o sr. Infantino perdeu a confiança".
Sérvia e Suécia adotaram a mesma posição horas depois. As três federações integram a Uefa, confederação que reúne as associações europeias e que vinha em rota de colisão com a direção da Fifa nos últimos meses.
Como está a disputa pela presidência
Infantino comanda a Fifa desde 2016, quando assumiu no lugar do compatriota suíço Sepp Blatter. Foi reeleito duas vezes sem oposição. Em abril deste ano, anunciou que pretendia concorrer a um quarto mandato.
Os pontos já definidos da disputa:
- Mandato em jogo: 2027 a 2031
- Data e local da eleição: Congresso da Fifa, no Marrocos, em março de 2027
- Federações que já retiraram apoio: País de Gales, Sérvia e Suécia
- Plano abandonado: venda de cerca de 20% de nova entidade de competições, com meta de até US$ 4,2 bilhões
No Congresso da Fifa, cada federação filiada tem direito a um voto, independentemente do tamanho do país ou da tradição futebolística. Por isso, a saída de três associações europeias do bloco de apoio não decide a eleição, mas indica desgaste em um grupo que costuma influenciar posições de outras confederações.
A Fifa não se manifestou publicamente sobre as retiradas de apoio até a publicação desta reportagem. A Confederação Brasileira de Futebol também não divulgou posição sobre a recandidatura.
A disputa com a Uefa por trás da crise
O desgaste de Infantino se soma a uma queda de braço com o futebol europeu que já dura meses. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, e o presidente da Associação Europeia de Clubes, Nasser Al-Khelaifi, se reuniram em Salzburgo, na Áustria, em meio à tensão das duas entidades com a direção da Fifa.
O ponto central é o Mundial de Clubes de 2029. Segundo o jornal espanhol As, não há acordo firmado entre a Associação Europeia de Clubes e a Fifa para a próxima edição do torneio, o que mantém em aberto a participação dos clubes europeus. A ausência de acordo não equivale a boicote anunciado, e nenhuma das partes formalizou desistência.
Para os clubes brasileiros, o desfecho da disputa importa porque define quantas vagas e qual formato terá a competição que reúne campeões continentais. Nada disso muda antes de um acordo entre as entidades.
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