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Infantino reúne cúpula da Fifa no Marrocos para conter crise interna

Encontro fechado à imprensa ocorre dias depois do recuo no plano de abrir operações comerciais da entidade a investidores privados

Neste texto3 tópicos
  1. Quem se afastou do presidente
  2. O desgaste na disputa pela reeleição
  3. O que está em jogo no modelo comercial

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião de emergência com dirigentes de alto escalão da entidade nesta quarta-feira (5), no Marrocos, na tentativa de conter a crise aberta pela proposta de abrir parte das operações comerciais da organização ao investimento privado. O encontro ocorreu na sede da Fifa para a África, no complexo Mohammed 6º, em Salé, nas proximidades de Rabat, e não foi aberto à imprensa.

A reunião foi marcada poucos dias depois de Infantino recuar do projeto. O plano previa a criação de uma empresa externa para administrar atividades comerciais da entidade e torneios, incluindo as Copas do Mundo, com participação de investidores privados no capital.

Quem se afastou do presidente

O desgaste atingiu o núcleo mais próximo do dirigente. Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino, renunciou ao cargo e afirmou ser "categoricamente" contrário à proposta defendida pelo presidente.

Também tomaram distância da iniciativa Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento do futebol mundial, e Mattias Grafström, secretário-geral da entidade. A saída de Cordeiro foi a mais ruidosa por se tratar do assessor que acompanhava Infantino nas articulações internacionais.

A pressão externa veio de duas confederações continentais. Uefa e Concacaf atuaram para barrar a iniciativa e, depois de conseguir o recuo, passaram a criticar o presidente de forma aberta.

O desgaste na disputa pela reeleição

A crise chega em um momento sensível do calendário político da entidade. Na semana passada, as federações da Sérvia, da Suécia e do País de Gales retiraram publicamente o apoio à reeleição de Infantino, movimento que expôs a perda de sustentação entre as federações europeias.

A Uefa também já havia levantado a hipótese de boicote a torneios da Fifa, entre eles o Mundial de Clubes, o que colocaria em risco a agenda de competições da entidade nos próximos anos.

Para o futebol brasileiro, o desfecho da disputa importa por dois motivos práticos: a definição do formato e do calendário do Mundial de Clubes, competição em que clubes brasileiros vêm garantindo vaga, e a divisão das receitas comerciais que a Fifa distribui às confederações filiadas.

A entidade mantém sedes regionais fora de Zurique, e a escolha do complexo Mohammed 6º, no Marrocos, para o encontro desta quarta afastou a discussão da sede central, onde a presença da imprensa é rotineira. O escritório africano foi inaugurado como parte da estratégia de descentralização administrativa da entidade.

O modelo de governança da Fifa concentra em poucos cargos a definição do calendário internacional, matéria que afeta diretamente os clubes brasileiros. Datas de Mundial de Clubes, janelas de convocação e divisão de receitas passam pelos mesmos órgãos internos que hoje estão em disputa.

O que está em jogo no modelo comercial

A proposta rejeitada mudaria a natureza jurídica da exploração comercial dos torneios. Hoje, a Fifa negocia diretamente direitos de transmissão e patrocínio e redistribui parte do resultado às federações. O plano transferiria essa operação para uma empresa com sócios privados.

Críticos do modelo argumentam que investidores externos passariam a influenciar decisões sobre calendário, formato e sede de competições, matéria hoje reservada aos órgãos internos da entidade. Os defensores sustentavam que a estrutura ampliaria a capacidade de investimento.

A entidade não divulgou nota sobre o conteúdo da reunião desta quarta. O encontro fechado e a ausência de comunicado oficial ao fim dos trabalhos mantêm em aberto o principal ponto da crise, que é a permanência de Infantino à frente da organização.

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