UFRJ entrega 25 diplomas postumos a vitimas da ditadura militar
Cerimonia no Salao Nobre do Forum de Ciencia e Cultura homenageou 23 estudantes e dois professores
A Universidade Federal do Rio de Janeiro entregou 25 diplomas póstumos a vítimas da ditadura militar em cerimônia realizada na quarta-feira (9), no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura, no Rio de Janeiro. São 23 estudantes e dois professores e pesquisadores.
Os homenageados foram identificados pela Comissão da Memória e da Verdade da UFRJ, que cruzou os registros da universidade com relatórios oficiais do Estado brasileiro sobre mortos e desaparecidos políticos. O diploma foi entregue a familiares presentes.
O que a universidade disse
O reitor Roberto de Andrade Medronho conduziu a entrega e tratou o ato como decisão institucional sobre o que a universidade escolhe preservar.
"O amanhã depende da nossa coragem de lembrar, da nossa disposição de lutar pelo que acreditamos", disse Medronho na cerimônia.
O jornalista Franklin Martins, presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ em 1968, participou do evento e defendeu que a iniciativa se espalhe. "Eu espero que outras universidades façam a mesma coisa. Para que a memória fique", afirmou.
A coordenadora-geral do DCE Mário Prata, Malu Cerqueira, ligou a homenagem à disputa sobre quais nomes a instituição registra. "Essa é a memória que a gente quer que essa universidade preserve. Não a memória de torturadores", disse. Entre os presentes estava André Luiz Araújo da Fonseca, filho de um dos homenageados.
Diploma póstumo e reparação
A concessão de diploma póstumo a estudante morto ou desaparecido no período da ditadura não é inédita no país, mas ainda é pontual. Cada universidade decide por ato próprio, em geral a partir do trabalho de comissões de memória criadas depois do relatório da Comissão Nacional da Verdade, entregue em 2014.
No caso da UFRJ, o critério declarado foi documental. A comissão partiu dos relatórios oficiais sobre vítimas do regime e verificou o vínculo acadêmico de cada nome com a instituição, o que definiu a lista final de 25 homenagens.
O tema tem produzido decisões também no Judiciário. Em julho, a Justiça Federal condenou um sargento por estupro cometido contra a guerrilheira Inês Etienne Romeu, única sobrevivente conhecida da Casa da Morte, em Petrópolis.
Para as famílias, o efeito prático do diploma é o registro: o nome passa a constar nos arquivos da universidade como o de alguém que concluiria o curso se não tivesse sido morto ou desaparecido. É um documento sem efeito profissional, com valor de reconhecimento.
A UFRJ não informou se haverá novas levas de homenagens. A Comissão da Memória e da Verdade segue em atividade na universidade.