Câmara terá seis deputados com deficiência em 2027, contra dois eleitos em 2022
Eleitorado com deficiência chegou a 1,97 milhão em 2026, 42% a mais que em 2022; só 42,6% das seções são acessíveis
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A Câmara dos Deputados terá seis parlamentares que se declaram pessoas com deficiência na legislatura de 2027 a 2031, o equivalente a 1,17% das 513 cadeiras. Na eleição de 2022, tinham sido eleitos dois. A contagem é da Agência Câmara, divulgada em 9 de outubro, e sai no mesmo momento em que o eleitorado com deficiência atinge o maior número já registrado, segundo a Agência Senado.
Quem são os seis deputados com deficiência eleitos?
A Agência Câmara não divulgou os nomes. O balanço por tipo de deficiência declarada traz dois deputados com deficiência auditiva, dois com deficiência física, um com deficiência visual e um com transtorno do espectro autista. Em 2022, os dois eleitos que declararam deficiência tinham, um, deficiência auditiva e, outro, visual.
Houve mais candidaturas também. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pela Câmara, foram 205 candidatos a deputado federal com deficiência em 2026, contra 172 quatro anos antes, alta de 19,19%.
Como a Câmara conta esses deputados
A Casa só computa oficialmente os novos parlamentares com deficiência depois do cadastramento deles. A informação serve para distribuir gabinetes e imóveis funcionais acessíveis, caso o deputado tenha dificuldade de locomoção. Os últimos dados catalogados, de 2025, registram cinco deputados com deficiência, número que cresceu em relação à eleição de 2022 pela posse de suplentes.
O DF elegeu oito deputados federais, três deles do PL. A lista completa está na nossa matéria sobre os deputados federais eleitos pelo DF. A Câmara não informou se algum dos seis eleitos com deficiência é do DF.
Eleitorado com deficiência é o maior da série
As eleições de 2026 tiveram 1.970.165 eleitores com deficiência aptos a votar, 42% a mais que em 2022, segundo a Agência Senado. Como proporção do eleitorado total, esse grupo foi de 0,1% para 1,24% desde 2010, quando o TSE passou a reunir o dado.
A Justiça Eleitoral ampliou a oferta de seções com acessibilidade de 156.296, em 2022, para 220.577, em 2026. Isso representa 42,6% das mais de 517 mil seções do país, contra 31,6% quatro anos atrás. Ou seja, mais da metade das seções ainda não é acessível. O programa Seu Voto Importa levou gratuitamente mais de 2 mil eleitores com mobilidade reduzida aos locais de votação no primeiro turno, segundo balanço do TSE divulgado no dia da eleição.
O que os eleitores do DF relataram
A Agência Senado ouviu duas moradoras da periferia de Brasília. Alessandra Pereira dos Santos, estudante de Jornalismo e cadeirante, vota no Paranoá. Ela contou que, na penúltima eleição, a mãe apertou os botões da urna por ela, e que o deslocamento é a maior dificuldade em dia de votação. A professora de música Carolina Dias Lima Souza, de 27 anos, tem deficiência visual total, vota em São Sebastião e usou a urna com leitor de tela. Disse que desta vez o equipamento também falou o nome do candidato, e que pôde ajustar a velocidade e o volume da voz.
O que ainda falta
O advogado Joelson Dias, ex-ministro substituto do TSE, aponta barreiras que vão além da urna: o trajeto até o local de votação, o acesso a informação em meios digitais e o que chamou de barreiras atitudinais. Segundo ele, a queixa mais ouvida depois do primeiro turno foi sobre a capacitação dos mesários. Em 3 de setembro, a Comissão de Direitos Humanos do Senado fez audiência sobre o tema, a pedido do senador Flávio Arns (PSB-PR), que disse que enviaria a transcrição ao TSE.
Sobre candidaturas, o texto da Agência Senado diz que o número total de candidatos com deficiência quase não mudou entre 2022 e 2026, de 476 para 499, sem detalhar o cargo. O recorte da Câmara, só de deputados federais, mostra crescimento maior.
Fontes: Agência Câmara (9 de outubro de 2026) e Agência Senado.