Politica

Urna eletrônica ganha nova interface e barra de progresso em 2026

Mudanças incluem fonte desenvolvida para leitura, telas redesenhadas e ampliação do uso de Libras

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou a nova interface da urna eletrônica, que estreia nas Eleições Gerais de outubro de 2026. As mudanças reúnem uma fonte tipográfica voltada à legibilidade, telas de votação redesenhadas, uma barra de progresso que mostra em que ponto da votação o eleitor está e a ampliação do uso de intérpretes de Libras.

A tipografia adotada é a Atkinson Hyperlegible, desenvolvida pelo Braille Institute com foco em contraste, espaçamento e definição dos caracteres. O objetivo declarado é corrigir a dificuldade de leitura relatada por eleitores nas telas anteriores, problema que atinge principalmente quem tem baixa visão.

O que muda na tela de votação

A novidade mais visível é a barra de progresso. Ela funciona como um guia do percurso: mostra qual cargo está sendo votado e quantos ainda faltam até o fim. Em uma eleição geral, o eleitor vota seis vezes seguidas, e a queixa recorrente é justamente perder a conta.

"A barra de progresso funciona como um guia visual. Ela permite que o eleitor saiba exatamente em que etapa da votação está", afirmou Rodrigo Coimbra, chefe da Seção de Voto Informatizado do TSE.

Os intérpretes de Libras também ganham espaço. Antes limitados a indicar o cargo em disputa, passam a sinalizar situações como voto em branco, voto nulo e voto de legenda, momentos em que o eleitor surdo ficava sem confirmação visual do que havia registrado.

De onde vieram as mudanças

Parte das propostas nasceu de um concurso voltado ao aperfeiçoamento da acessibilidade e da experiência de uso da urna, com participação de estudantes da Universidade de São Paulo (USP). Lucia Vilela Leite Filgueiras, professora da Escola Politécnica da USP, avalia que as melhorias beneficiam qualquer pessoa, e não apenas quem tem deficiência.

É o argumento clássico do desenho universal: uma tela mais legível e um fluxo mais claro reduzem o tempo de votação e o número de dúvidas na seção, o que se traduz em fila menor.

Recursos que já existiam

As novidades se somam a um conjunto de recursos de acessibilidade que a urna já oferece e que segue disponível. O teclado tem identificação em braile nas teclas, o eleitor com deficiência visual pode pedir fone de ouvido para acompanhar a votação por áudio e o Judiciário Eleitoral autoriza a presença de pessoa de confiança do eleitor dentro da cabine quando há necessidade comprovada.

O eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida também pode solicitar transferência para seção com acesso facilitado, pedido feito no cartório eleitoral dentro do prazo de alteração de dados cadastrais.

Nada disso altera o funcionamento interno do equipamento nem o registro do voto. A mudança é de camada visual e sonora, a parte com que o eleitor interage nos poucos minutos em que fica diante da máquina, e não afeta o software de votação nem os procedimentos de auditoria previstos para o dia da eleição. O eleitor do Distrito Federal encontra as novas telas já no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado distrital.

Leia também: Mais de 17 ministros de Lula deixam cargos para disputar eleições em outubro.

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