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Dino dá 30 dias para Congresso e Saúde explicarem emendas

Decisão publicada nesta terça (14) cobra de Padilha, Conass, Conasems e comissões da Câmara e do Senado os critérios de destinação dos recursos

O Supremo Tribunal Federal, em Brasília, apertou o cerco sobre a destinação das emendas parlamentares da Saúde. Em decisão publicada nesta terça-feira (14), o ministro Flávio Dino deu 30 dias para que o Congresso e os principais gestores do setor expliquem os critérios de distribuição dos recursos.

A lista de quem deve responder é extensa: o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os presidentes do Conass e do Conasems, que reúnem os secretários estaduais e municipais de Saúde, e os presidentes das comissões de Saúde da Câmara e do Senado.

Dino se apoiou em relatórios do Denasus, órgão de auditoria do SUS, e da Controladoria-Geral da União (CGU). Os documentos apontam falhas de rastreabilidade e irregularidades na aplicação das emendas destinadas à área.

Seis pontos na mesa

As autoridades terão de detalhar:

  • como funcionam e quais são os critérios das emendas de incremento temporário de custeio;
  • como garantir a segregação e a rastreabilidade do dinheiro, da indicação até a execução;
  • como melhorar o monitoramento e a transparência dos repasses;
  • como avaliar os resultados do que já foi pago;
  • se o uso de emendas para pagamento de pessoal é adequado;
  • como aperfeiçoar as prestações de contas.

A Advocacia-Geral da União também tem 30 dias para entregar o quarto relatório do grupo de trabalho que acompanha as medidas de transparência determinadas pelo Supremo.

"Terceirização de emendas" na mira

O ministro reservou as palavras mais duras para a chamada "terceirização de emendas", quando pessoas sem mandato passam a indicar recursos do Orçamento. Para ele, a prática fere os princípios da moralidade, da legalidade e da finalidade.

É "totalmente anômalo que ex-parlamentares mantenham cotas orçamentárias informais e, diretamente, transmitam ordens para funcionários da Casa Parlamentar", afirmou Dino na decisão, segundo a Agência Brasil.

Dino é relator, desde 2022, da ação que obriga o poder público a dar transparência e rastreabilidade às emendas. Foi nesse mesmo processo que o plenário do STF referendou as regras de transparência para os repasses.

Bloqueios e investigação

Nas últimas semanas, o ministro mandou bloquear R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e R$ 6 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha. Os bloqueios derivam de investigação da Polícia Federal sobre suposto peculato-desvio na indicação de emendas por quem não tem mandato.

Para o brasiliense, o desfecho interessa em dobro: além de morar na cidade que sedia o STF e o Congresso, o DF recebe emendas parlamentares que financiam serviços de saúde da rede local. O prazo de 30 dias vence em meados de agosto, e as respostas vão abastecer a ação em andamento no Supremo.

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