Politica

Moraes encerra caso Marielle e manda cumprir penas imediatamente

Decisão assinada no STF, em Brasília, declara trânsito em julgado; irmãos Brazão pegaram 76 anos e 3 meses e um dos condenados está preso no DF

O ministro Alexandre de Moraes declarou nesta segunda-feira (13), em decisão assinada no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, o trânsito em julgado da ação penal do caso Marielle Franco e mandou os cinco condenados começarem a cumprir as penas imediatamente.

Com isso, o processo dos mandantes e intermediários dos assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes chega ao fim: não há mais recurso possível e as penas, que somam mais de 235 anos, valem em definitivo. Moraes rejeitou os embargos infringentes das defesas por considerá-los protelatórios.

"Declaro o trânsito em julgado da ação penal", escreveu o ministro, segundo o SBT News. Para Moraes, o "caráter procrastinatório do recurso deve ser reconhecido monocraticamente pelo Ministro relator".

Marielle e Anderson foram mortos a tiros em 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro. A condenação saiu em fevereiro de 2026, no julgamento da Primeira Turma do STF, e foi mantida em junho, quando a Corte rejeitou a primeira leva de recursos, como o DistritoNews mostrou na ocasião.

As penas de cada condenado

  • Domingos Brazão, conselheiro afastado do TCE-RJ, apontado como um dos mandantes: 76 anos e 3 meses, mais 200 dias-multa;
  • Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, também apontado como mandante: 76 anos e 3 meses;
  • Ronald Paulo Alves Pereira, ex-policial militar apontado como planejador: 56 anos;
  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, condenado por obstruir as investigações: 18 anos;
  • Robson Calixto da Fonseca, ex-assessor do TCE-RJ que atuou como intermediário: 9 anos.

Segundo o SBT News, a condenação também impõe a perda dos cargos públicos e a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem os efeitos das penas.

Um dos condenados está preso no DF

De acordo com o Jornal de Brasília, Ronald Pereira cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília, no Distrito Federal. Domingos Brazão está no presídio Constantino Cokotós, no Rio, e Rivaldo Barbosa, no Bangu 8.

Chiquinho Brazão é o único em regime domiciliar: Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária por 90 dias em razão do quadro de saúde do ex-deputado, que tem doença arterial coronariana crônica, diabetes tipo 2, nefropatia e hipertensão, segundo a decisão. Ele usa tornozeleira eletrônica e está proibido de receber visitas e de usar redes sociais; a defesa deve apresentar exames atualizados, e a medida será reavaliada ao fim do prazo.

Por que o caso foi julgado em Brasília

O processo dos mandantes tramitou no STF porque Chiquinho Brazão exercia mandato de deputado federal quando foi denunciado, o que atraiu o foro da Corte. Os executores confessos, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, foram condenados em processo separado na Justiça do Rio de Janeiro, após acordos de colaboração que ajudaram a chegar aos mandantes.

Com o trânsito em julgado, eventuais pedidos das defesas passam a correr na fase de execução penal, como a revisão do regime domiciliar de Chiquinho daqui a três meses.

Leia também: STF tem maioria contra desconto de 14% de aposentados; falta pauta

2 visualizações