Lula e Alcolumbre se reúnem em jantar articulado por ministros do STF
Encontro na casa de Alexandre de Moraes foi o primeiro entre os dois desde a rejeição de Jorge Messias ao Supremo pelo Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniram na noite de terça-feira (4), em Brasília, em um jantar na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O encontro foi articulado por Moraes e pelo ministro Cristiano Zanin, segundo o Poder360.
Foi a primeira conversa direta entre os dois em cerca de três meses. A relação estava travada desde a rejeição, pelo plenário do Senado, do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no Supremo.
Do encontro saiu um acordo prático: temas de alto custo político ficam para depois do período eleitoral. É o caso da proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, pauta que tem apelo popular e divide a base no Congresso.
O que ficou acertado no jantar
Além do adiamento da PEC, os dois combinaram uma segunda conversa reservada ainda nesta semana, sem a presença dos ministros. Nessa reunião devem entrar os assuntos pendentes entre o Planalto e o Senado, incluindo a possibilidade de Lula indicar Messias novamente ao Supremo.
A pauta do Congresso em agosto pressiona os dois lados. Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), marcaram esforço concentrado para o período de 10 a 14 de agosto, última janela relevante de votações antes de os parlamentares mergulharem na campanha.
A reaproximação interessa aos dois lados: o governo precisa de votos para aprovar matérias econômicas até outubro, e o Senado quer previsibilidade na relação com o Planalto na reta final da legislatura.
A crítica à mediação dos ministros
O grupo de juristas Lexum divulgou nota crítica à participação de ministros do Supremo na articulação do encontro. Para a entidade, a atuação contraria o dever de distanciamento institucional exigido de integrantes da Corte e ultrapassa o limite da imparcialidade necessária ao exercício da função judicante.
Nem o Supremo nem os gabinetes de Moraes e de Zanin haviam se manifestado sobre a crítica até a publicação desta reportagem. O Palácio do Planalto e a Presidência do Senado também não comentaram oficialmente o teor do jantar.
Por que isso interessa a quem mora no DF
O impasse entre o Executivo e o Senado trava votações que definem o Orçamento de 2027, o texto que fixa o Fundo Constitucional do Distrito Federal e os repasses que sustentam a segurança pública, a saúde e a educação locais.
Há também o efeito direto sobre a cidade: o esforço concentrado de 10 a 14 de agosto concentra em Brasília a articulação de bancadas, ministros e lideranças, com reflexo na agenda de segurança da Esplanada e no funcionamento das duas Casas.
A indicação de um novo nome ao Supremo, se voltar à mesa, também tramita integralmente na capital: a sabatina ocorre na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e a votação final, no plenário da Casa.
O que travou a relação
A rejeição de Jorge Messias foi um episódio raro. O Senado costuma aprovar indicações ao Supremo depois da sabatina, e a derrubada de um nome enviado pelo Planalto expôs o desgaste entre o governo e a Presidência da Casa.
Desde então, matérias de interesse do Executivo passaram a andar mais devagar no Senado, e a vaga aberta no Supremo continua sem preenchimento. Uma corte com dez ministros muda o cálculo dos julgamentos em plenário, sobretudo nos casos decididos por margem estreita.
A escala 6x1, por sua vez, é uma proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada semanal e limita o modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para um de folga. O tema tem apoio popular medido em pesquisas e resistência de setores empresariais, combinação que explica o interesse das duas partes em deixá-lo fora do calendário eleitoral.
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